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O poder da capa
Em meio a tantas publicações nas bancas, algumas seduzem os nossos olhos de maneira irresistível. Conheça as técnicas que os editores utilizam para vender o que a edição tem de melhor e atrair o público que ainda não conhece a revista.

 

O QUE É QUE A BOA CAPA TEM?

GRASSETTI, da Abril: "A capa é o primeiro contato visual. Ela tem de identificar a publicação e, ao mesmo tempo, surpreender o leitor".
"A capa é a voz que te chama na banca", afirma o designer Carlos Grassetti, há 40 anos na Abril e atual diretor de arte da diretoria da secretaria editorial. Segundo ele, para serem bem-sucedidas, as capas devem levar em conta quatro fatores: a estética, o conteúdo, a identidade da revista e, claro, o apelo de vendas. Todos agindo em sinergia com um único objetivo: conquistar o leitor.

A criação de uma identidade forte garante que a revista seja reconhecida na banca ao longo de sua existência. O segredo é fazer o leitor identificar imediatamente a publicação, mas ser sempre surpreendido pelas constantes inovações que ela traz, num misto de familiaridade e estranheza. Para cumprir a primeira função, um logotipo marcante, limpo e de fácil assimilação é essencial. Ele tem de estar relacionado ao estilo de vida do público ao qual a revista se direciona. A experiência de mercado relata que uma alteração radical no logo e a falta de identidade com seu público resulta sempre em perda de leitores.

A beleza estética é fundamental. Capas feias empacam nas bancas. A boa capa tem a obrigação de brindar o leitor e o mundo com bom gosto na escolha das fotos e na combinação das cores. No entanto, o design não está apenas a serviço da estética, mas principalmente da legibilidade e da compreensão. A forma jamais deve prejudicar o conteúdo, mas sim valorizá-lo. Chamadas ilegíveis, tipos pequenos ou serifados vão exigir um esforço que talvez o leitor não esteja disposto a fazer. E lá se vai a chance de conquistar um fã.

Com a informatização das redações na década de 90, a plasticidade das revistas deu um salto em qualidade. Na era do layout lascado, quando as capas eram produzidas manualmente com overlays e fotocomposição, era bem complicado experimentar cores, trocar as chamadas de lugar e inovar na utilização dos elementos gráficos. As possibilidades tornaram- se infinitas com o desktop publishing. "Você vê os resultados na hora, e muda o fundo ou altera a montagem a qualquer momento", explica Grassetti. Mas ser bonita apenas plasticamente não faz da capa um sucesso. O conteúdo, expresso de forma sucinta e direta, facilita o entendimento do leitor. O conjunto de chamadas também deve ser interessante. Representar o que há de melhor dentro da revista, trazer os temas mais importantes. A originalidade e a criatividade têm caminho livre. Chamadas instigadoras despertam o desejo do público.

Mais do que atender aos princípios de qualidade editorial das revistas, a soma desses fatores não deve deixar de considerar o último ponto, e não menos importante, que é o apelo de vendas. Com fotos, cores e pautas inovadoras nas capas, os editores incentivam o leitor a comprar sua publicação. "A capa é uma promessa que tem de ser cumprida dentro da revista!", ressalta o diretor de arte.

ELEMENTOS MÁGICOS

Uma capa de revista é formada basicamente por quatro elementos básicos: o logotipo, a imagem principal, o tipo de letra e as cores. Saber combiná-los de maneira interessante é o que vai atrair a atenção do leitor no mar de opções em que se transformaram as bancas. Mentes talentosas e criativas estão livres para brincar com esses elementos, desde que não se esqueçam do primeiro mandamento da boa capa: legibilidade! Com essas informações na mão e uma boa idéia na cabeça é possível produzir uma boa capa para qualquer publicação. Mas não esqueça: o sucesso está na sensibilidade de escolher o tema certo no momento exato.

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