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O poder da capa
Em meio a tantas publicações nas bancas, algumas seduzem os nossos olhos de maneira irresistível. Conheça as técnicas que os editores utilizam para vender o que a edição tem de melhor e atrair o público que ainda não conhece a revista.

MASSON, da AnaMaria: "Boas capas dependem de uma chamada forte, somada a um personagem carismático e uma boa imagem".
CELEBRIDADES E DOCES
Típica revista de banca, AnaMaria tem de acertar duas vezes a cada edição, pois todas elas saem com duas capas: a principal e a de receitas. Com boa circulação também em supermercados, a revista teve na edição 406, no mês de julho, o melhor desempenho de 2004 em vendas avulsas. Foram 175.900 exemplares. Segundo o editor-chefe Celso Masson, boas capas dependem de uma chamada forte, somada a um personagem carismático e uma boa imagem. "Para nós, a grande ciência é acertar nessa combinação", conta.

Manchetes como "14 quilos em 40 dias, seguindo a dieta ortomolecular, Solange Couto, 48 anos, volta ao manequim 38" têm apelo incrível entre o público de AnaMaria. A figura da atriz não exigiu que a transformação fosse mostrada logo na capa, procedimento adotado pela redação no caso de dietas. "Ela tinha a imagem forte da personagem Dona Jura, quando aparece magrinha, chama a atenção", diz Masson. Celebridades que superam dificuldades ou vencem doenças estão entre os temas queridos do público. No começo de 2004, a revista realizou uma promoção para a leitora escolher a capa favorita do ano anterior. A vencedora foi a que trouxe a atriz Regina Dourado, que na época enfrentava um câncer.

A segunda capa influencia diretamente na venda da revista. Uma boa receita alavanca as vendas de AnaMaria porque atrai a leitora esporádica. Pratos para fazer e vender são os favoritos, assim como aqueles voltados para datas comemorativas. "Comida do dia-a-dia ela já sabe fazer, mas quando tem o apelo para ganhar dinheiro, dá mais resultado", diz Masson. Outro segredo, mas esse, inexplicável: doces vendem mais que salgados.

Tanto nas chamadas de capa quanto nos textos da revista, a leitora de AnaMaria rejeita o tom professoral. É preciso ensiná-la a realizar mais eficientemente as atividades do cotidiano e nunca como executá-las. "Ela não gosta de se sentir desvalorizada", afirma Masson. Como parte da capa da revista é coberta pelo encarte de receitas, a chamada do canto superior esquerdo merece destaque. Esse espaço era dedicado ao tempo que a leitora despende com ela mesma, depois de cuidar da casa, dos filhos e todas outras tarefas. Recentemente, a revista tem experimentado trazer um acontecimento quente da semana.

Divulgação Divulgação
NILCÉA, da Nova Escola: "Nova Escola é uma revista de serviços. Portanto, quanto mais serviço, mais os professores gostam e, há temas de grande abrangência, melhor".
PELA MELHORIA DA EDUCAÇÃO
A Nova Escola também está no time das revistas em que as assinaturas são predominantes. Ainda que não tenha fins lucrativos, o bom desempenho em banca sempre é uma referência sobre o caminho que a revista está seguindo. Na edição 180, de março deste ano, a publicação teve seu preço aumentado em 60 centavos e, mesmo assim, deve obter um bom desempenho nas bancas, superando a estimativa de 63 mil exemplares.

Temas abrangentes como "Escola Acolhedora" geralmente agradam um número maior de leitores. Manchetes de interesse mais restrito, como dicas para uma determinada disciplina, têm menos apelo diante do leitor. Segundo a diretora de redação Nilcéa Nogueira, as matérias nunca devem deixar de levar em conta que a Nova Escola é uma revista de serviços. "Portanto, quanto mais serviço, mais os professores gostam."

Para isso, a revista utiliza geralmente duas ou três chamadas de capa. Nessa edição, a Nova Escola publicou uma entrevista com o ministro da educação Tarso Genro. O uso de palavras que despertam a atenção como "exclusivo" e "novo", a relevância do entrevistado e o contexto em que ele está inserido, a escolha de 2005 como o ano da qualidade no ensino, fizeram com que o tema abordado se tornasse bastante atraente.

A presença de um professor é quase que essencial na foto da capa, de uma forma ou de outra ele tem de se espelhar ali. Essa edição mostra as mãos de um professor tocando carinhosamente o rosto da criança. Remetendo ao sentimento de afetividade, esse caráter positivo é marca registrada da publicação. Não faz parte da proposta editorial fazer matérias de denúncia. Além disso, cores negativas como o preto nunca são utilizadas. Já as cores claras, referentes à realidade tropical do país, são sempre privilegiadas. Para o leitor da Nova Escola, não cabem os verbos no imperativo. A idéia é caminhar sempre ao lado do professor, nunca acima dele. Sem imposições a revista está dando ferramentas para ele realizar os trabalhos com mais eficácia, mas da maneira que lhe for mais conveniente.

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