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O poder da capa
Em meio a tantas publicações nas bancas, algumas seduzem os nossos olhos de maneira irresistível. Conheça as técnicas que os editores utilizam para vender o que a edição tem de melhor e atrair o público que ainda não conhece a revista.

Eudes Soares
VENDER. ESSA É A FUNÇÃO DE UMA BOA CAPA. Pacote do presente que o leitor vai ganhar, ela traz os principais conteúdos da revista naquela edição. Cada publicação tem uma forma diferente de organizar a própria apresentação, mas todas têm seus pequenos segredos. Conversamos com profissionais de revistas com propostas editoriais diversas, que tiveram picos de venda em 2004 e no começo de 2005, e eles nos revelaram os motivos desse bom desempenho.

 

Lucíola Okamoto
Lucíola Okamoto GOMES, da Nossa História: "Foi com um tema abrangente, envolvendo arte, luta, história, política, cultura e cuidados corporais, que tivemos um pico de vendas de 49.500 exemplares".
CAPOEIRA, TEMA MULTIFACETADO
Sem a pressão de trabalhar com notícias quentes e informações fresquinhas, a revista Nossa História pode explorar o mesmo tema sob diferentes ângulos em diferentes edições. Distribuída nos vôos da Varig, em embaixadas e para o alto escalão do governo federal, a revista depende fundamentalmente da venda em banca. Recente pesquisa feita pela editora Vera Cruz mostrou que a revista tem 60% de leitores fiéis, mas eles ainda preferem o bate-papo com os profissionais das bancas a receber a publicação em casa. "Como dependemos de banca, a capa é determinante para o sucesso da edição", conta Adalmir Sampaio Gomes, diretor responsável da revista Nossa História.

Com a matéria "O Poder da Capoeira", o número cinco da revista vendeu 49.500 exemplares, marca excelente para uma publicação segmentada. Segundo Gomes, a boa aceitação se deu graças à abrangência do tema. Envolvendo arte, luta, história, política, cultura e cuidados corporais, a capoeira tem atrativos diferenciados e múltiplos que atraem o público sob óticas diversificadas.

Outro tema favorito do público são as personalidades. "Nesse caso, sempre buscamos o que é inusitado, as relações pessoais do personagem", afirma o diretor. Ainda nessa edição, era procedimento da revista mencionar os autores dos artigos na capa. A prática foi abandonada porque não atingia o público geral. "Era interessante apenas para um leitor intelectualizado", diz Gomes.

A ilustração da chamada de capa é um dos principais atrativos de uma publicação. Por isso, a Nossa História não economiza ao fazer uma seleção criteriosa da ilustração: mantém historiadores da arte que têm acesso a catálogos e contato com museus e institutos de arte em todo o mundo. "Plasticamente, as ilustrações são extremamente belas e chamam a atenção", completa.

Lucíola Okamoto
CIÇA, da Dieta Já: "A história de uma pessoa mortal somada à da celebridade são elementos fundamentais para uma capa que vende bem. Quanto melhor a história, melhores resultados alcançamos". Lucíola Okamoto
SIM, VOCÊ PODE!
Cada capa tem uma função. A leitora da Dieta Já, por exemplo, quer emagrecer, não importa se são três ou vinte quilos. Em junho de 2004, "a senhora do destino", Suzana Vieira, após uma dieta bem-sucedida, estampava a capa. As vendas em banca atingiram um total de 42.767 exemplares. A venda avulsa responde a 60%, diante de um universo de 22 mil assinantes. A editora-chefe, Ciça Lessa, informa que, observando uma tendência do mercado, a revista começou a trabalhar com celebridades na capa há dois anos. "Além de ser famosa, a celebridade tem de ter um histórico de emagrecimento e boa forma reconhecidos", afirma. A Suzana, do alto dos seus 62 anos (mais de 40 só de carreira), é um exemplo de que formas curvilíneas podem ser conquistadas por qualquer um que se habilite a concentrar energia nesse sentido.

A faixa etária da personalidade que ilustra a capa altera diretamente o alcance da revista. Ao abrir espaço para celebridades mais maduras, a Dieta Já expande seu círculo de leitoras para diversas faixas etárias. "Isto nos permite fotografar mulheres como a Vieira ou a Fafá de Belém e continuar vendendo bem", afirma Ciça. A partir da história da personagem, a revista conta os seus segredos para manter a forma e mostra como a leitora pode conseguir os mesmos resultados. A editora também revela que matérias sobre propostas de emagrecimento mais rápidas e eficazes têm forte apelo nas bancas.

Para chegar a esses resultados, a revista geralmente trabalha com oito chamadas, sendo duas especificamente referentes a dietas. A seção testes já foi obrigatória, mas tem perdido força nas últimas edições. "Nossas leitoras buscam muito o autoconhecimento", conta. Entre os temas abordados, a história real de uma pessoa comum tem lugar garantido. A intenção é aumentar a identificação da leitora com uma mulher que passa pelos mesmos problemas. "A história de uma pessoa mortal somada à da celebridade são elementos fundamentais para uma capa que vende bem", afirma.

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