Caco Alzugaray - Escalando montanhas na vida real e no mundo das Revistas Maria Célia Furtado
ER: A Três tem vocação para a televisão?
Tem participação em um canal de tevê e também em outros meios?
Caco: Eu e o Domingo concordamos com a grande maioria dos
pontos a serem decididos na editora e, pela forma que estamos trabalhando, estamos
crescendo em share, em faturamento. Como você sabe, em toda empresa, nas divergências,
a palavra final é do presidente. E elas são importantes, pois a discussão nos
faz enxergar outro ponto-de-vista. Estou falando isso, pois essa questão de televisão
é um pouco polêmica na empresa, na família e entre eu e o Domingo. A minha opinião
é que devemos consolidar a nossa operação de revistas para daí então partir para
um trabalho mais agressivo em outras mídias. Embora, recentemente, adquirimos
uma retransmissora da Bandeirantes, no Vale do Aço, no Rio de Janeiro. Por incrível
que pareça, o Domingo tem mais pressa em entrar nesse segmento do que eu, e, geralmente,
é o inverso que ocorre entre as gerações.
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"Penso que a
editora foi um dos bons exemplos de travessia dessa tempestade. Principalmente
porque, ao contrário de alguns de seus concorrentes, cresceu enxuta até pelo fato
de ter nascido e crescido disputando mercado com uma grande editora" |
ER: Como é a composição acionária da Três? A família participa?
Caco: É uma sociedade anônima, porém de propriedade exclusiva
do Domingo e da Cátia Alzugaray, minha mãe. Não tem nenhum outro sócio. Eu e minha
irmã somos sócios de outra empresa do grupo.
ER: Como é que a editora viveu a famosa crise
da mídia? Consideran
do-se ainda que você, na época, era
presidente da Aner?
Caco: Os editoriais da Em Revista são testemunhas de meu
otimismo e vou continuar sendo otimista. Concordo que se possa estar saindo do
que se convencionou chamar de "crise da mídia", que foi uma ressaca publicitária
surgida após o estouro da bolha da Internet. Uma ressaca com várias caras, de
diversos formatos, que foi mutante. Neste ano de 2004, o bolo total do investimento
publicitário já vai apresentar um bom crescimento, parece que mais de 15%. Embora
os meios impressos ainda estejam sentindo pouco este aquecimento. Quanto à Três,
penso que a editora foi um dos bons exemplos de travessia dessa tempestade. Principalmente
porque, ao contrário de alguns de seus concorrentes, cresceu enxuta até pelo fato
de ter nascido e crescido disputando mercado com uma grande editora, que é a Abril.
Felizmente, também coincidiu com um ciclo de imagem muito positivo da Editora
Três, institucional e politicamente, com repercussão extremamente favorável entre
os leitores, pelos vários furos de reportagem.
ER: E revistas femininas. Já teve
alguma? Por que não tem?
Caco: Na verdade, o que sentimos é não ter muita aptidão
para esse mercado.
"Na Aner, senti uma responsabilidade
muito grande. Foram dois anos que tive de trabalhar defendendo as idéias e interesses
não apenas da Editora Três, mas também os da Editora Abril, que é uma editora
muito grande, e de pequenos editores" |
ER: E a Status? Fez sucesso, fez
história. Nunca pensaram em ressuscitar
essa revista, que foi tão forte?
Caco: É um título que foi descontinuado e tem uma marca forte
até hoje. Sempre se pensa em ressuscitá-lo, mas não há nenhuma decisão tomada
e nenhum planejamento para seu lançamento. Tudo pode acontecer.
ER: Como é que são os almoços na
Três? São famosos, têm políticos,
empresários, artistas. Eles são convidados
ou se convidam? É mais direcionado
para a publicidade ou para
o editorial?
Caco: Geralmente, esses compromissos são sugeridos pelas
assessorias dos convidados e agendados com as redações, que depois nos transmitem
os convites. Talvez por esta tradição de receber bem. Neles é importante que se
diga não se fala de negócios entre as partes. É uma regra nossa, da casa.
ER: E os políticos?
Caco: Também são eles, na maioria das vezes, que sugerem.
Nesses casos, priorizo os que são com o Poder Executivo.
ER: E como se administra na editora
essa relação entre editorial e
comercial?
Caco: A empresa tem uma característica muita conhecida por
esses dois setores, que é a direção da família, na figura principal do Domingo
e, hoje, também com minha participação. As nossas revistas são absolutamente independentes
e nós fazemos parte desse processo, como acontece nas melhores empresas de mídia
no mundo inteiro. Ser independente não quer dizer que os donos do veículo não
participam das decisões editoriais. As decisões têm que ser tomadas o tempo inteiro
e são, conforme sua relevância, decididas por vários escalões hierárquicos, desde
o repórter até o dono. Trabalhamos com unidade nesse sentido, porém uma unidade
ideológica. Nunca misturando as duas questões, a comercial e a editorial.
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