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Caco Alzugaray - Escalando montanhas na vida real e no mundo das Revistas
Maria Célia Furtado

FOTO: MIKIO OKAMOTO
Conheci e comecei a trabalhar com o Caco (como foi difícil no começo chamá-lo de Caco), quando ele assumiu a presidência da Aner. Foi amor à primeira vista. Ele tem uma personalidade e uma maneira de trabalhar cativantes. Por traz daquela aparência de garoto esconde-se uma pessoa com opiniões bem formadas, que sabe o que quer e argumenta com segurança e ênfase, defendendo seus pontos de vista.

Esteve sempre muito presente na Aner e em alguns momentos mais difíceis encontrava soluções com tranqüilidade, com esse seu jeito simples de ser.

Nesta entrevista, ele diz que "revista está no seu DNA" e me lembro de uma entrevista que fiz, há algumas edições passadas, com o Angelo Rossi (atual presidente da Aner) em que iniciei escrevendo que o Angelo nasceu com uma revista na mão. Pois é, a Aner está vivendo momentos de muita segurança, conhecimento e dedicação, com o Caco, que por dois anos foi Presidente e ainda participa como Diretor Tesoureiro e articulador da Campanha "Jogue sua revista na escola", criada por ele, e agora com o Angelo, que assume e dá continuidade à gestão anterior. Ambos com revista no sangue.

Uma entidade presidida por pessoas tão apaixonadas pelo mercado em que atuam, pelo trabalho que escolheram só pode se considerar privilegiada.

Nesta entrevista, uma questão que fica muita clara e que atualmente é muito discutida pelos economistas e advogados que trabalham com sucessão familiar nas empresas é justamente como definir a participação dos herdeiros na empresa familiar. Na Editora Três, a transição, basicamente já está consolidada com a presença de um executivo que definiu sua vocação profissional, ainda criança, vivendo dentro da empresa. É sempre muito gratificante entrevistar uma pessoa apaixonada pelo que faz, e o Caco é uma pessoa que tem paixão por tudo que faz e vive - pela mulher, pelo filho recente, pela família, pelo esporte que pratica e sobretudo pelas revistas. Mesmo quando afirma que o trabalho é estressante e o esporte alivia esta tensão, ele está dizendo que se dedica totalmente à tarefa que está desempenhando.

Pedi licença para finalizar esta apresentação com um texto escrito, recentemente, pelo Caco, definindo a missão da Editora Três, e que define bem a missão de cada um de nós profissionais do meio revista. "Escrever cada palavra, vender e distribuir cada exemplar com o objetivo de ajudar a formar cidadãos mais preparados, críticos e conscientes em relação às pautas mais relevantes do nosso país, sejam elas políticas, ambientais ou mesmo comportamentais. Ou seja, ser uma importante ferramenta para o desenvolvimento de um Brasil mais justo e feliz, informando um número cada vez maior de pessoas com transparência e qualidade, ampliando, assim, a influência positiva de nossos títulos.

Em Revista: Como você iniciou sua vida profissional nesse mercado? Como herdeiro?
Carlos Alzugaray: Estou na editora trabalhando com minha família há muito tempo. Entrei na empresa em 1989, 1990. Tinha acabado de me formar como segundo-tenente do Exército. No ano seguinte, entrei na faculdade, na PUC. Meu pai queria que eu terminasse os estudos antes que eu começasse a trabalhar na editora, mas eu não queria. Cresci esperando o dia de entrar na Editora Três como funcionário. Então, aos 19 anos, ano seguinte ao Exército, comecei como assistente de redação da revista Hippus. Eu queria que fosse essa revista porque adorava cavalos. Sem contar que eu também sempre gostei muito de revistas. Acho que está no DNA.

FOTO: MIKIO OKAMOTO
"É o Domingo quem comanda a área editorial da empresa. Eu dirijo a parte executiva. Conto com total autonomia, mas respondo para ele. Gosto de conversar e acho muito importante ouvir suas opiniões e seus pareceres sobre minha área"

ER: Desde menino, você já achava que ia trabalhar na Editora Três?
Caco: Nunca tive dúvida sobre o que vou ser quando crescer, o que faria da minha vida. Cresci gostando da idéia de trabalhar com revistas, sempre imaginando meu trabalho na Editora Três.

ER: E como é ser filho do dono? É um executivo, é um herdeiro? Como se relaciona com os funcionários? E com o Domingo?
Caco: Acho que ele ajudou na minha formação como executivo e também ajudou o pessoal da editora a aceitar minha presença. Todos lá sabem que não houve favorecimentos. O Domingo foi até muito duro comigo na questão de cobrança e, na época, meus chefes também não me facilitaram muito as coisas. Passei por quase todas as áreas executivas, comerciais e mercadológicas da Editora Três, embora eu tenha começado na redação. Demorei cinco anos para ter o cargo de gerente. Para me tornar diretor, outros cinco anos. Entrei como assistente, passei a coordenador, fui supervisor, saí da Hippus, fui para a IstoÉ e, depois, passei a cuidar do marketing de todas as revistas. Internamente, acho que é uma questão bem resolvida para os funcionários, os colegas da Editora Três.

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