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Momento único
Foto: Lucíola Okamoto
Carlos Domingo Alzugaray - Caco
Agosto, ao contrário da fama, tem trazido boas notícias.

Passado o furacão do baixo astral, dos projetos adiados e das idéias engavetadas, o horizonte clareia. Importantes depurações foram realizadas e o mercado evolui com a consistência de quem soube perseverar com determinação e flexibilidade.

Nesse horizonte, que já está ao alcance de nossas mãos, vejo a melhoria do cenário publicitário e o aquecimento do consumo. Conforme previsto, já podemos respirar (um pouco) mais aliviados. Isso porque, o talento, a criatividade, a maneira surpreendente de superar crises faz parte do default do brasileiro e todos sabemos que desistir nunca foi opção.

Ajustamos custos, fortalecemos parcerias, inovamos nos produtos e nas formas de comercialização... Enfim, prosseguimos com o prazer de fazer com paixão o que mais gostamos: revistas que seduzem e encantam os leitores e que fortalecem a imagem positiva dos anunciantes, fazendo a roda do mundo girar em sua eterna (r)evolução.

Nosso mercado já deu provas suficientes de consistência e amadurecimento. A qualidade das revistas brasileiras é reconhecida mundialmente. O mercado globalizado reverencia nossa criatividade e desperta interesses internacionais. Olha aí a nossa diretora executiva, Maria Célia Furtado, sendo convidada para expor nosso mercado em Londres (Inglaterra) aos surpresos olhares dos investidores britânicos (página 30). Olha aí a Aner formatando parcerias com a Unesco e com a Secretaria de Estado da Educação para levar mais cidadania e dignidade aos nossos jovens (página 61).

Essa retomada tem a consistência de quem supera obstáculos com amadurecimento e muito esforço. E é nesse momento único que vemos nossa liberdade de expressão ser ameaçada pela criação de mecanismos retrógrados de policiamento às nossas idéias. Como no famoso "eterno retorno" decantado por Nelson Rodrigues, vemos agora, de maneira sinistra, uma tentativa de volta ao período da censura. Isso é impensável após 20 anos de batalha pela abertura democrática e mais 20 anos provando que não é preciso ninguém para controlar nossas idéias.

Portanto, mais que repudiar qualquer possibilidade de cerceamento à liberdade de expressão, negamos veementemente a necessidade de qualquer ação neste sentido: sofremos, amadurecemos e já provamos definitivamente que nossos sonhos são muito bons.

A liberdade de expressão representa também a liberdade de escolha. Seja na hora de votar, de ler ou de adquirir produtos, conceitos e idéias. É isso que faz a roda da economia girar. Pois ainda não criaram nenhum sistema mais eficiente que o livre mercado. Nem forma mais gratificante de viver que a da livre cidadania. E nós, revisteiros, editores, leitores e anunciantes temos todos os méritos por essas conquistas. Nesse momento único que retomamos nossa eterna vocação para o crescimento, devemos nos manter ainda mais unidos para continuar fazendo excelentes publicações com toda a liberdade. Pois como o Mauro Salles relembra no seu delicioso artigo (página 36), "O homem que lê uma revista de ponta a ponta sobe um degrau na cidadania". E é isso que vamos continuar fazendo. Com a liberdade e o amadurecimento conquistados por todos os editores associados à Aner.

Abraços,

Caco




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