Conhecimento e inspiração POR TILA TEIXEIRA
Ver,
saber, se informar: o conhecimento me fascina e por isso eu sempre leio
muito. Quando era pequena, obviamente lia gibis como os da Mônica
e da Luluzinha. Já um pouco antes da adolescência teve uma fase
de transição na qual eu deixei de ler história em quadrinhos e comecei
a ler a revista Capricho. Eu pedi para meu pai comprar a revista
e ele me deu uma assinatura de presente. Então, durante um ano, ler a
Capricho era o meu momento de relax. Mas logo depois eu comecei
a descobrir diversos assuntos importantes e hoje eu não tenho uma preferência
por uma revista específica: eu adoro ir às bancas e ver aquele monte de
publicações. Às vezes, leio uma revista que eu escolhi pela capa. Afinal,
são temas tão diferentes que muitas delas despertam meu interesse.
Há um tempo atrás eu descobri a Carta Capital e foi uma boa
surpresa porque ela se aprofunda com artigos mais honestos e conscientes.
Já a Caros Amigos é uma revista que eu leio com mais freqüência
e, além de textos que vão mais fundo, ela tem umas entrevistas que mostram
pontos-de-vista bastante diferenciados. O ator Matheus Nachtergaele, por
exemplo, foi capa e deu uma entrevista linda. O interessante é que a revista
deu liberdade para que ele abordasse uma série de temas que outras revistas
não publicariam e eu acho isso fundamental porque uma cidade como São
Paulo tem um lado off muito interessante que nem sempre aparece nas revistas,
o que é uma pena.
Já uma revista como a TPM está aí, revelando caras novas e dando
espaço para novos talentos. Eu mesma fui capa da TPM e foi uma
delícia. Eu tinha acabado de fazer a peça "Ofélia", com o José Celso Martinez,
do Teatro Oficina, e a revista me convidou para fazer um perfil. Nem era
para a matéria ter tanto destaque, mas tudo fluiu de uma maneira tão legal
que o perfil ganhou mais espaço e acabou virando capa. Então, é bom saber
que existem revistas que publicam idéias novas e revelam pessoas diferentes.
Apesar de meu interesse estar mais ligado a temas relacionados a Arte,
de vez em quando vejo uma revista de Moda e curto também esse lado mais
light das publicações. Só acho uma loucura essa coisa que as
pessoas têm pelas revistas de fofoca. Parece que elas deixam de viver
a própria vida para viver a vida das celebridades e para mim não importa
saber com quem a Nicole Kidman está namorando, e sim se o filme que ela
fez me toca de alguma maneira.
Uma outra coisa que acho interessante nas revistas é que elas
dão idéias que podem inspirar para compor um personagem. Quando estou
com um personagem na cabeça, fico com o radar ligado, vivendo o personagem
o tempo todo. Daí pode acontecer de eu estar olhando uma página e pensar:
"Olha, essa roupa o meu personagem usaria." Eu tenho muito de
pegar uma foto, pegar um olhar de uma pessoa e ver se a expressão dela
tem a ver com o personagem que eu estou fazendo. Assim, como eu faço isso
no meio da rua, vejo uma pessoa e me pergunto se o meu personagem se senta
assim ou anda assim, as revistas também têm esse lado de mostrar algum
detalhe que eu posso usar.
Para ser uma atriz, é preciso ter um conhecimento muito amplo
e eu estou sempre buscando o máximo de informações que me alimentem. As
revistas dão um panorama do que está acontecendo, acrescentam cultura
e ainda por cima refrescam a cabeça. Por isso, eu leio revistas.
Afinal, quanto mais se sabe, maior o poder de fazer uma análise consistente
sobre qualquer assunto
Tila Teixeira é atriz.
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