Meu patrão é o leitor Revirando lixo, conversando na madrugada com policiais, utilizando a Internet, descobrindo o caminho das fontes e do poder, repórteres das revistas semanais de informação mostram como chegar às melhores matérias
POR PATRÍCIO BENTES
Na
sociedade atual, o cidadão comum precisa fazer um exercício de equilíbrio
para se proteger dos avanços tecnológicos, da bisbilhotice de seus semelhantes
e aprender a conviver com vários fenômenos de nossos dias: o jornalismo
espetáculo, o jornalismo investigativo, o jornalismo de entretenimento
e até com o fim da privacidade. Com o excesso de informação, o
cidadão precisa exercer o seu direito de selecionar o que é notícia do
que é conveniência das fontes ou dos interesses de empresas ou grupos
de pressão.
O pensador Walter Benjamim já dizia, que "quando incomoda quem tem poder,
o jornalismo nunca deixa de ser uma atividade perigosa". O trabalho da
imprensa sempre será o de exercer a defesa das garantias constitucionais,
pelo exercício da liberdade de expressão. O instrumento dessa intermediação
entre a sociedade e o cidadão são os órgãos de comunicação e seus repórteres.
Eles levam informações às pessoas que, na maioria das vezes, sequer teriam
conhecimento ou acesso.
| Mário Simas Filho:
"Na busca pela informação, a ética deve predominar no exercício
da função jornalística. Precisa ser a mesma do cidadão" |
Mário Simas Filho, editor-especial de uma das semanais de informação,
explica o mecanismo de um furo seu: a morte de Paulo César Farias. Conta
que para se dedicar ao caso PC, passou três meses em Alagoas, mas foi
apenas em um jantar casual que descobriu o fio da meada. Numa madrugada,
enquanto jantava em um restaurante ouviu uma conversa entre pessoas da
Polícia Militar do Estado e, naquele momento teve a certeza de que estava
na pista certa. Abordados, os policiais inicialmente tentaram desmentir
o que tinham dito. Experiente em situações de risco, o repórter conseguiu
convencê- los a ampliar o tema e o País soube que a versão apressadamente
veiculada pela imprensa afoita não correspondia aos fatos.
Mário Simas Filho é de opinião que a ética que deve predominar no exercício
da função jornalística. Precisa ser a mesma do cidadão. Mas, não se acanha
quando diante de uma situação profissional tem de usar um gravador escondido
ou uma microcâmera.
Em seus dez anos de trabalho, uma norma que faz questão de manter é a
checagem e a rechecagem das informações para não cometer nenhum equívoco.
Preservar fontes, principalmente aquelas que concedem informações em off,
é outro mecanismo de trabalho que considera que tem de ser mantido. "É
um instrumento sem o qual o jornalista não cumpre sua tarefa, mas que
não pode ser confundido com trabalho de polícia".
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