É essa a liberdade de Expressão que queremos? POR PATRÍCIO BENTES
Tales Alvarenga, diretor editorial de Veja,
acredita que o governo petista com o projeto do Conselho, "está inebriado
com a perspectiva de aumentar seu controle sob a sociedade, demonstrando
a todos nós que é o único depositário da virtude e do interesse nacional,
numa operação de envergadura para concentrar mais poder".
Hélio Campos Mello, diretor de redação da revista IstoÉ,
tem a opinião de que é função social da imprensa fiscalizar o Poder em
nome da sociedade. Nesse sentido, "olhar o que se passa nas entranhas
do Poder é uma das tarefas nobres da missão jornalística".
Paulo Nogueira, diretor superintendente das publicações
de tecnologia e turismo da Editora Abril, considera que se a ética não
for respeitada o futuro das publicações jornalísticas será comprometido
e a credibilidade dos veículos destruída.
O jornalista Maurício Azedo, presidente da Associação
Brasileira de Imprensa (ABI), também repudia a intenção de criar o Conselho.
Em nome da instituição que representa, jornalistas de todo País, ele considera
"a tentativa uma forma de cercear o trabalho da imprensa por intermédio
de um órgão ilegítimo."
Enquanto isso...
Censura em cima de censura |
Antes que a intenção autoritária do Governo Federal e da Fenaj
prospere, a censura deu o ar da sua graça, desta vez pelas mãos
da Justiça. O alvo foi a Editora Abril, primeiro com uma matéria
da Você S/A, e mais recentemente com outra na revista Contigo.
A matéria censurada foi uma entrevista concedida por Mariana Papa
Fragali, esposa do vice-presidente da empresa de comunicação Rede
TV, Marcelo de Carvalho Fragali, feita pela repórter Mariane Piemonte,
abordando sua situação conjugal. O material está gravado e foi obtido
em dois momentos.
No pedido de liminar, a alegação dos advogados é que a publicação
da matéria poderia causar danos irreparáveis à imagem e à honra
de seu cliente, Marcelo Fragali. Sem conseguir o efeito suspensivo
contra a liminar, a Editora Abril decidiu não publicar a matéria,
mas informar aos seus leitores sobre a reportagem proibida.
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