É essa a liberdade de Expressão que queremos? POR PATRÍCIO BENTES
O único ator social ao qual os jornalistas e as publicações jornalísticas
têm de prestar contas é o leitor, que têm um mandato social para criticar,
fiscalizar, reclamar, aprovar e reprovar a imprensa e seus profissionais.
Desde que foi anunciada, a criação do Conselho Regional de Jornalismo
vem causando inúmeras controvérsias em muitas entidades do País.
Muitas delas, nos idos dos anos 80, lutaram ao lado do então embrionário
movimento sindical contra a censura e o autoritarismo da ditadura. Caso
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), cujos membros, muitos deles conceituados
juristas e advogados, já se pronunciaram contrários à iniciativa, por
entenderem que ela é uma tentativa de cercear a liberdade de expressão.
Nas principais redações, a notícia também vem repercutindo. Veja a seguir,
o que pensam os profissionais da notícia sobre o polêmico assunto
Eles já têm uma opinião formada. E você?
José
Roberto Guzzo, do Conselho Editorial da Editora Abril, resgata
sua experiência em Veja, durante a ditadura e na época da redemocratização,
para afirmar que "regulamentar a ética, por meio de um código de normas,
significa engessar um mundo de idéias complexas e diferenciadas como a
realidade jornalística, formada por seres humanos de formação as mais
diversas."
Carlos José Marques e Luiz Fernando Sá, diretor de
redação e redator-chefe da revista IstoÉ Dinheiro, afirmam que
o acesso à informação é um direito público inalienável, "controlar a informação
não significa apenas policiar uma atividade, mas manipular toda uma sociedade...
Em outros tempos, o verbo disciplinar foi usado em porões militares para
cometer as piores barbáries já presenciadas neste País".
Aluizio Falcão Filho e Delmo Moreira, diretor editorial
e redator-chefe da revista Época, desconfiam que o governo do
PT no Poder confunde informação com propaganda, ao mesmo tempo em que
mistura alinhamento ideológico com prática jornalística, dois componentes
que perturbam aqueles que pensavam que quando deixassem de ser oposição
teriam jornalistas e servidores públicos como aliados permanentes.
A posição da Aner
foi dada por meio deste comunicado |
A Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) está acompanhando
com preocupação a proposta do Projeto de Lei no. 3895/2004, que
considera a criação do Conselho Federal de Jornalismo, pois, entende
que está implícito neste texto o cerceamento da liberdade de expressão.
A Aner e seus associados não têm restrições à criação de um organismo
que regulamente o exercício do jornalismo, como já ocorre em outras
profissões, mas sim, se opõe com veemência a que se delegue a este
Conselho poderes autoritários de controle da imprensa. Reiteramos
a posição de total defesa da liberdade de expressão sem censura,
já que se constitui um princípio consagrado pelo texto Constitucional
Brasileiro, sendo certo que a nenhuma lei é dado criar embaraço
ao livre exercício da profissão.
Carlos Domingo Alzugaray
Presidente da Aner
Associação Nacional de Editores de Revistas |
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