A vida em um clique Acompanhando um fotojornalista durante um dia inteiro, chegamos à conclusão de que sua vida pode ser tudo, menos um tédio
POR PATRÍCIO BENTES
Henri
Cartier-Bresson, em uma série de entrevistas concedidas ao jornalista
Michel Guerrin antes de sua morte, afirma que "a fotografia é uma sucessão
de maravilhosas coincidências, que é preciso saber aproveitar".
Para apreender esse momento mágico, Bresson ensina que é preciso ter
"a paciência de um pescador, rigor científico no olhar, intuição para
saber onde esperar, serenidade para aguardar e estar presente no momento
do milagre da vida ou da morte".
Olhar, registrar e sintetizar em uma imagem um determinando momento é
o trabalho de centenas de fotógrafos de jornais e revistas do Brasil e
do mundo.
A diferença entre a ferramenta de trabalho de Cartier-Bresson e os fotógrafos
de hoje é a chamada tecnologia, que permite que uma imagem possa ser registrada
em um clic e estar pronta para ser usada em quatro ou oito segundos.
Max G. Pinto, fotógrafo de uma das revistas semanais de informação, é
um dos profissionais que munido de um equipamento digital e cartões de
memória tem a missão diária de cumprir uma ampla pauta de imagens para
a publicação que trabalha.
Sua tarefa, não termina quando ele acaba de registrar aquele momento
mágico de seus personagens nas ruas ou nos ambientes onde circulam. Registrada
a imagem, é o próprio fotógrafo que precisa tratá-las no computador, ampliando,
selecionando, editando e identificando cada fotograma.
Foi
assim que Max G. Pinto iniciou o seu dia de trabalho, nessa terça-feira,
10 de agosto, após ter trabalhado até 2 da madrugada de segundafeira colhendo
imagens e levantado às 7 da manhã para tratar no computador do material
fotografado na véspera.
As nove há da manhã, em companhia do motorista Francisco Silva Pereira,
inicia mais um dia para cumprir uma pauta que o vai fazer percorrer 215
quilômetros pela Grande São Paulo.
Sua missão oficial: cobrir o corpo-a-corpo do candidato tucano à Prefeitura
da Capital de São Paulo, José Serra, nos bairros de Perus e Parada de
Taipas, e o encontro da prefeita Marta Suplicy, candidata à reeleição
pelo PT, com estudantes em recinto fechado no Auditório do Palácio Anhembi.
Max não tinha intenção de ser jornalista. Com essa convicção, direcionou
seus estudos para a arquitetura e o cinema. Quando jovem, foi testemunha
ocular de conversas de bastidores de grandes profissionais das revistas
Veja e IstoÉ em plena época da ditadura, ouvia encantado
conversas e relatos de seus autores, que freqüentavam a intimidade de
sua família. Não esquece os comentários de seu pai, Tão Gomes Pinto, e
de alguns amigos: "jornalista convive com gente interessante".
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