Juan Ocerin - Um revolucionário na pele de um Don Juan Maria Célia Furtado
ER
- Jovem homem?
Juan - É. Para a mulher tem bastante, mas para o
jovem não, para o adolescente não. Acho que é um público muito grande
e uma revista para esse público é muito difícil de fazer.
ER - E de comportamento?
Juan - Sim. De comportamento. Mas, como eu te falei,
ainda temos tanto a fazer. Com um objetivo de crescimento de 50%, não
preciso de mais nenhum título. O que precisamos é melhorar nossa produtividade.
ER - Saindo das adultas e indo para as infantis. Existe
o projeto do Sítio do Pica Pau Amarelo apoiando o Fome Zero. Eu queria
que você contasse um pouco isso. O Fome Zero está meio conturbado, mas
não sei da revista. Conta para a gente como é que foi?
Juan - Nós entramos de cabeça porque achávamos que
era um grande projeto de solidariedade. Nosso intuito era contribuir com
aquilo que sabemos fazer, que é revista e mais especificamente, nos dirigirmos
à população carente com um formato de revista de quadrinhos. Fizemos com
o personagem da Emília e não com os do Mauricio de Souza. É um personagem
do Sítio do Pica Pau Amarelo e foi um grande sucesso. Achamos uma mecânica
que foi vendendo uma revista de R$ 1. Com essa receita de R$ 1 conseguimos
produzir 100 revistas que doamos para o governo para serem distribuídas
nos municípios que o governo escolheu como sendo prioritários para o Fome
Zero. As revistas são distribuídas nas escolas de Primeiro Grau e até
o momento já distribuímos seis milhões de exemplares. Nossa meta é chegar
a 18 milhões, conforme anunciamos no início. Nós não estamos olhando se
outros fatores do Fome Zero Governamental dão certo ou não. Devemos editar
vários temas, como educação alimentar, o Programa do Fome Zero como um
todo, estamos com três edições de nutrição, tematizados, outros temas
como custo da água, cidadania e assim por diante.
ER - Vocês tiveram muitos parceiros nesse projeto porque
é basicamente um investimento de uma equipe, realizado voluntariamente.
Juan - Essa idéia na verdade estava aberta a quem
quisesse participar. Isso é, para qualquer um que quisesse contribuir,
fosse com papel, gráfica, editora, ou empresas querendo comprar lotes
de revistas com R$ 1. Com esse real começamos pensando em produzir três
revistas. Chegamos a produzir seis e hoje são seis multiplicadas por cada
revista. São seis produzidas e doadas.
| "O que falta no portfólio?
Uma revista de economia e negócios, que pode ser semanal ou mensal.
Uma revista masculina? Tem vários exemplos dando certo no mundo.
A Maxim é um deles. Não estamos em conversas, mas sonhamos um dia
ter um título desse. E tem outra carência no mercado, que é uma
revista para adolescente, jovem, que é muito difícil de fazer..." |
ER - Quer dizer, papel, gráfica....
Juan - Cada um dava o que podia. Papel gratuito,
papel com menor custo, gráfica com menor custo, distribuição não tem preço,
não foram cobrados os direitos autorais do personagem Emília, do Monteiro
Lobato, e assim por diante. Na mídia, tempos atrás, a TV Globo veiculou
gratuitamente os comerciais do Serginho Groissman. Agora, nos próximos
dias, está entrando a Ana Maria Braga. São comerciais gratuitos, sem cobrança
de cachê. E, obviamente, não há custo de distribuição para as escolas,
pois nós doamos para o Ministério.
ER - Como é que você está vivendo este ano do ponto
de vista da economia? Está mais otimista? O primeiro semestre foi bom?
Juan - Foi bom. Tínhamos metas internas bastante
agressivas para recuperar oportunidades perdidas no passado. Estamos batendo
essas metas e, graças a Deus, o mercado ajudou. Somos mais otimistas com
a publicidade e nem tanto com a circulação, que está estagnada. O poder
aquisitivo compromete o canal banca, que continua sendo hostil e recessivo,
apesar de ser interessante. Nenhuma editora quer abrir mão da
banca, porque, além de ter um público diferenciado, que não quer se comprometer
com 52 edições, é lá que se faz a degustação. É um canal rentável, mas
de volumes decrescentes, que precisa ser reinventado, com pontos alternativos.
Como os supermercados, por exemplo, que estão nos surpreendendo. Então,
a gente quer andar por onde anda o cliente. Ele já não anda tanto
na rua, anda mais em espaços fechados. Mas andar anda.
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