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Juan Ocerin - Um revolucionário na pele de um Don Juan
Maria Célia Furtado

ER - Estamos vendo uma série de problemas pela frente, inclusive essa iniciativa do governo criar o Conselho Federal de Jornalismo. Como é que você vê isso? Essa interferência direta no editorial?

Juan - Hoje existe competição suficiente e um leitor mais atento e mais rigoroso do que nunca para depurar o que é bom, seja na mídia impressa ou televisiva. Acho absolutamente desnecessários esses controles. O que precisa é as empresas se conscientizarem cada vez mais de atender o que o leitor procura. As empresas têm de estar sempre na frente.

ER - Você enxerga muito a revista como um negócio, como um produto. E o poder da revista, como é que fica? O poder de influenciar, decidir, fazer a cabeça das pessoas?

Juan - É inegável que esse negócio tenha poder de influênciar. Mas para que ele dê certo, o negócio tem de estar acima da vaidade. É um negócio muito mais complexo que apenas um produto.

ER - E quais são os desafios da Editora Globo na área digital?

Juan - Do mesmo modo que a Internet tem o seu peso, a revista também. Eu não enxergo uma revista que não tenha seu site. Por sinal, acho que é uma dupla vencedora. Em termos de grupo, nós temos uma empresa de Internet que se chama Globo.com. Mas eu estou cada dia mais certo de que todo veículo, até o papel, tem de estar em todas as versões. A revista existe, ora no papel, ora via Internet. Então, na verdade tem de ter os dois meios. O leitor cada dia distingue menos a forma em que adquire a informação e mais a informação em si. Claro que a revista tem a portabilidade, é mais fácil de manusear, de se escolher os temas, os capítulos, a página e assim por diante, sem parar e voltar, sem ter de religar a máquina. Você tem um milhão de vantagens. Eu não acho que hoje é o momento de se preocupar com a morte da revista no seu formato papel. Até porque, em países muito mais internautizados do que o Brasil, as revistas continuam fortes. Eu acho que o momento é mais de não perder oportunidade e também fazer o trabalho bem feito na versão digital esquecendo os medos da morte do papel.

ER - Você tem um espaço ainda, quer acrescentar alguma coisa? Fique à vontade....

Juan - Não, só dizer que acredito que no Brasil ainda tem espaço para revistas bem feitas. Eu aposto muito no negócio revista pelo público. Tem aí milhões de pessoas ávidas por informação. Eu diria isso!


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