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A famosa crise da mídia se foi

Foto: Lucíola Okamoto
Carlos Domingo Alzugaray - Caco

A famosa crise da mídia se foi Parece que a previsão dos otimistas estava mais certa e me orgulho de estar inserido neste grupo.
Boas notícias circulam pelo mercado da comunicação e, embora haja consenso que já vivemos dias muito melhores, também é fato que as empresas voltaram a anunciar "um pouco mais" e que teremos "de nos virar" com o que está aí.

A última pesquisa do projeto InterMeios/Meio & Mensagem apresentou o consolidado do ano de 2003 e, para surpresa (positiva) geral, o bolo total da propaganda fechou o ano com um crescimento nominal de 12,9%, e real de 2,9%. Se somarmos a isso as informações correntes de um primeiro trimestre mais aquecido do que o mesmo período do ano passado, teremos as razões suficientes para pararmos de reclamar e arregaçarmos as mangas. Ou seja, é hora de as rodas de discussões mudarem o foco sobre dívidas, salvamentos, reestruturações, operações financeiras e de recolocá-lo sobre o próprio mercado: concorrência comercial, disputas editoriais, diferenciais, posicionamentos, criatividade, fragilidades e oportunidades.

É isso aí, editores, o jogo está reiniciando.

É claro que para atravessar esta longa seca, muitos de nós tivemos de nos endividar em escala e formatos que nos foram convenientes (e/ou possíveis) e colocarmos nossas empresas para funcionar com o mínimo de combustível possível. Mas o lado bom disso tudo é que "adaptamos nossos corpos a esta carência de combustível" e, quando ele voltar a níveis menos sofríveis (que sustento, está acontecendo agora), será como descer do cume do Everest (8.890m) para o acampamento base (5.300m): uma sensação de oxigênio abundante, pois nossos corpos aclimatados não se deram conta que o ar ainda é rarefeito, embora muito menos - imaginem então quando chegarmos ao nível do mar.

Quanto a nós, executivos de "revistas", além de voltarmos as energias para nossos ambientes competitivos, definitivamente chegou a hora de trabalharmos corporativamente, unificando o discurso de defesa da eficiência publicitária do meio, pois, como bem sabemos, depois de nossos títulos alcançarem uma audiência satisfatória para os anunciantes, nossa principal disputa pelas verbas publicitárias não se trava no ambiente revisteiro, mas sim no interMeios. Editores menores, defendam sua atividade e se necessário prefiram perder a batalha de uma campanha para um companheiro de revistas, pois dessa forma aumentam suas chances de serem contemplados em uma próxima. Editores maiores, defendam o meio e não queiram praticar políticas comerciais exclusivistas, pois se apenas suas editoras forem contempladas nas campanhas, a concorrência passa a ser com a televisão e, assim como nesta campanha pode "não ter a revista X", a próxima campanha pode "não ter revistas". Tenhamos todos certeza que anunciantes e agências que "se acostumam" a se abster de nossas páginas dificilmente voltam. Assim como os que veiculam com freqüência em uma série de títulos dificilmente saem.

Abraços,
Caco

 



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