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Relax e poder residual
Por Mika Lins

Fotos: DivulgaçãoMinha família sempre foi muito ligada à cultura e ler foi sempre um hábito natural. Eu ainda nem freqüentava a escola, mas já ficava "namorando" a revista Realidade, que eu achava linda.

Se por um lado eu cresci num ambiente em que todo mundo lia muito, por outro lado, lá em casa os meus pais tinham uma formação de esquerda. Ou seja, aquelas revistas da Disney que todas as crianças liam eram barradas, pois eram o símbolo da sociedade norte-americana. Ainda assim, eu lia na escola e adorava.

Depois, teve um tempo em que o Ziraldo transformou as historinhas da "Turma do Pererê" em quadrinhos e, por terem valores bem brasileiros, esses gibis eram muito bem recebidos em casa. Eu devorava com os olhos. Agora, uma história muito engraçada que acontecia é que, por ter uma família mais intelectualizada, eu não podia ficar lendo bobagens. Então eu lia as fotonovelas de revistas como Grande Hotel escondida com as empregadas. Eu achava o máximo!

"Uma das coisas que eu gosto nas revistas é que elas fazem um jornalismo mais aprofundado e exploram o campo do conhecimento de uma maneira mais intensa"

A partir do momento que nós amadurecemos, ficamos mais seletivos. Como para mim a leitura é um ritual, faço escolhas que vão me acrescentar algo. Das revistas femininas, por exemplo, leio de vez em quando a Marie Claire. Principalmente quando sai o perfil de alguma pessoa interessante, tanto do mundo das artes quanto das pessoas que fazem um trabalho social ou comunitário importante.

Gosto também da TPM que revela gente e talentos que estão fora da grande mídia, mostrando caras novas de um jeito diferenciado. E adoro a Caros Amigos, que ainda faz as chamadas "grandes reportagens", e a República que também faz matérias menos superficiais. Além disso, eu assino a Scientific American na versão brasileira, porque eu tenho uma predileção por assuntos científicos. Assim, uma das coisas que eu gosto nas revistas é que elas fazem um jornalismo mais aprofundado e exploram o campo do conhecimento de uma maneira mais intensa. E isso é o trabalho do artista: conhecer e tocar mais profundamente as pessoas e suas histórias. Gosto de ler também porque, além de formação, as revistas dão informações precisas e preciosas quando você precisa saber de um determinado assunto.

Há um tempo atrás, quando comprei meu apartamento, li tudo quanto é revista de decoração e descobri ótimas dicas. Agora tem outra coisa que eu acho maravilhoso nas revistas: elas são ótimas para relaxar. Elas são perfeitas para quando você está mais doente ou querendo ficar mais quietinha. Mas uma coisa que impressiona muito é que as revistas têm um grande poder residual. Eu fui capa da Veja em São Paulo há mais de cinco anos e até hoje as pessoas se lembram. Outro dia encontrei uma pessoa que viu uma entrevista que eu dei na Marie Claire já faz um tempão e uma amiga veio comentar comigo. É aí que a gente percebe que, nas revistas, as informações têm vida longa e isso é muito importante na divulgação do trabalho de um artista.




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