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Mídia, o mundo real na sala de aula
A criatividade dos professores vem transformando as revistas em material paradidático de grande valor, cada vez mais presente nas salas de aula. As cores, o fácil manuseio, a durabilidade atraem o que mais importa: o interesse dos alunos

Daí a introdução de gibis desde a educação infantil e até como fundo para o processo de alfabetização (ver reportagem na pág. Xx). "Uma revista sobre telenovelas, por exemplo, pode servir de base para o estudo psicológico de uma personagem, como um paralelo da análise literária", cita a professora Grácia.

Isso não quer dizer, porém, que qualquer publicação possa chegar às mãos dos alunos. "Recomendo fortemente que os professores façam uma préseleção das revistas antes de distribuí- las em sala de aula", diz Celio da Cunha, assessor especial e editor da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil. "Elas precisam passar pelo crivo de alguém, porque a criança é muito vulnerável."

A professora Elaine Aragon dos Santos recomenda a receita que usa com seus alunos da 4a série de uma escola pública paulista. "Se o professor não estiver seguro de como lidar com determinado assunto, por exemplo a sexualidade, é melhor pré-selecionar as revistas." Ela, pessoalmente, não vê necessidade, já que reportagens que falem sobre sexo podem servir como "uma porta para nos aproximarmos do assunto". "Reprodução humana faz parte do conteúdo da 4a série", lembra.

Laércio da Costa Carrer: "As revistas são o oxigênio de que o aluno precisa para ser protagonista e fazer a diferença nas instâncias de liderança."

Mas o bom-senso avisa: não entregue à classe uma caixa fechada de revistas doadas sem pelo menos dar uma olhada nas capas antes, se não quiser ter surpresas desagradáveis. Vale uma regra simples. Tudo aquilo que chocar o professor vai chocar o aluno.

O conteúdo das revistas pode ser usado individualmente em cada disciplina. A distribuição é fácil. Até para matemática: anúncios ou reportagens econômicas servem como base para a criação de problemas que serão solucionados pela turma, plantas baixas de imóveis podem virar uma questão de geometria, gráficos podem ser analisados.

As experiências mais ricas, sem dúvida, são as interdisciplinares. Professores contaram ao guia Sua Escola Em Revista, empolgados, os projetos que envolveram vários outros colegas e que conquistaram o empenho dos alunos de todas as faixas etárias, desde a préescola até o último ano do ensino médio. Esses trabalhos incluem a transformação de alunos em autores de revistas, além de análises de capas, criação de debates acalorados e abordagem de temas transversais tendo notícias como mote.

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