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Mídia, o mundo real na sala de aula
A criatividade dos professores vem transformando as revistas em material paradidático de grande valor, cada vez mais presente nas salas de aula. As cores, o fácil manuseio, a durabilidade atraem o que mais importa: o interesse dos alunos

Professores usam essa ferramenta das formas mais diversas, com todas as faixas etárias, como pôde comprovar este Guia Sua Escola Em Revista nas experiências que acompanhou. O objetivo primordial é sempre formar um cidadão leitor. Mas a revista entra em todas as disciplinas, sem exceção.

"Usamos em praticamente tudo", diz Maria Cristina Lozano Mazzocchi, coordenadora- geral do segmento de maternal a 4a série do Colégio São Luís, em São Paulo.

O uso mais consagrado e antigo é o de material de pesquisa para recortes: de figuras, de letras, de palavras, de ilustração para cartazes. Mas essa tradição encontra opositores ferrenhos como a educadora Virginia Balau (ver entrevista na pág. Xx), que considera a destruição deliberada de um suporte de texto digna de punição para crime inafiançável.

Luiz Percival Leme Brito: "Uma boa seção de revistas pode ser um aporte essencial para um modelo pedagógico em que se valorizem a curiosidade e a diversidade, um modelo que instigue a pesquisa e a reflexão"

Não há necessidade de radicalismo. Se a cultura de recortar palavras durante a alfabetização e o início do ensino fundamental não vai ser simplemente eliminada de uma hora para outra, os usos didáticos da revista vêm se diversificando há tempos, tendo como base a criatividade dos professores.

Rodas de leitura e debates fomentados por revistas já são habituais. Muitas salas de aula contam com periódicos e gibis à disposição dos alunos para serem folheados como atividade de espera. As escolas mais organizadas - e com mais recursos - têm revistotecas e hemerotecas.

"Uma boa seção de revistas em bibliotecas escolares, em especial de revistas de vulgarização científica, de conhecimentos gerais, de informação, seria uma aporte essencial para um modelo pedagógico em que se valorizem a curiosidade e a diversidade, um modelo que não se prenda a um texto único e que instigue a pesquisa e a reflexão", afirma Percival.

Isso não quer dizer que a educação só possa se beneficiar das revistas ditas "sérias". "Nenhum assunto é desprezível, cada um promove um tipo de reflexão", afirma Grácia. "É sempre melhor começar com as revistas que a molecada mais gosta."

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