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Mídia, o mundo real na sala de aula
A criatividade dos professores vem transformando as revistas em material paradidático de grande valor, cada vez mais presente nas salas de aula. As cores, o fácil manuseio, a durabilidade atraem o que mais importa: o interesse dos alunos

Imagina se, no meu tempo, tinha cabimento a gente ler revista em plena sala de aula", poderia dizer hoje um pai ao pegar a lista de material do filho. Já o filho acha a coisa mais normal do mundo a escola pedir que ele leve três revistas para a classe. E ele vai folheá- las, sim, em plena sala de aula.

Foi-se o tempo em que os professores se concentravam apenas nos livros didáticos. Os pais e mães da geração que hoje ocupa as carteiras escolares ficavam sujeitos a ler textinhos minúsculos de livros de "interpretação de texto" e responder a perguntas muito óbvias sobre eles. Ao fim do primeiro dia de aula, aqueles alunos que realmente gostavam de ler já tinham consumido avidamente todos aqueles pedacinhos de texto, retirados de obras literárias ou mesmo de jornais e revistas.

Os livros didáticos - que bom - mudaram. Educar para o mundo é o lema dos professores de hoje. E o mundo está na mídia. "Precisamos dar a eles uma educação viva, em que a pessoa se reconheça e entenda a sociedade", diz Grácia Lopes Lima, uma das pioneiras de uma vertente chamada educomunicação - o nome é autoexplicativo.

A imbricação de educação e comunicação surgiu mais forte na década de 80. Foi então que os meios de comunicação perderam definitivamente a pecha de "desencaminhadores", carapuça que tem suas origens na Escola de Frankfurt e até mesmo antes, quando o cinema, que nascia, era visto como algo prejudicial.

Paulo Freire já propôs a aproximação entre a tecnologia e a educação, e de lá para cá os professores vêm adotando a "vida real" evidente em todas as formas de mídia como material paradidático. Reportagens televisadas, radiofônicas e impressas servem não apenas como fonte de reflexão, mas também como instrumento para todo tipo de aprendizado. E não porque contenham "a verdade". Pelo contrário, mostram que tudo o que existe são versões.

A revista se destaca entre essas mídias por ter um fácil manuseio, ser atrativa e ter uma duração - até mesmo física -- maior que o jornal. "A revista sempre foi uma referência de leitura. É um instrumento valiosíssimo em todas as disciplinas", afirma Grácia.

"Ela ocupa diferentes espaços, de salas de espera a prateleiras de bibliotecas, cabeceiras de cama e bolsas de praia. Alguns gêneros de escrita nasceram e vivem em revistas. É o caso das grandes reportagens, de entrevistas de fôlego, das histórias em quadrinhos. Além disso, sendo leves e de fácil manipulação, as revistas com freqüência acompanham os leitores em seus deslocamentos; basta um breve olhar em um vagão de trem ou metrô, no ônibus, em praças e rodoviárias, para encontrar pessoas lendo revistas das mais variadas características", diz o especialista em lingüística Luiz Percival Leme Brito, há tempos um militante da disseminação do hábito da leitura.

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