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Joana é um gênio
Maria Célia Furtado

ER - Você escreve, já fez editorial, escolhe a capa.

Joana - Eu escrevo. Não escrevo bem, eu preciso de um "ghost writer". Aliás, um dos meus objetivos é voltar a escrever. Faço chamadas de capa, com textos curtos, idéias breves, faço todas as capas de ponta a ponta, consigo escrever editoriais, mas o formato eu acho que tem a ver com a minha formação oriental. Como eu sou a primeira geração, o primeiro português que eu aprendi foi um português cheio de erros de concordância. Esse ano uma das minhas metas é literalmente escrever. Quem sabe livros, porque as idéias estão lá.

ER - Você tem uma concentração de títulos no mesmo segmento, quase que um atropelando o outro. Há canibalização?

Joana - Não. À primeira vista até parece, mas são complementares. Um exemplo disto é a família Meu Nenê. Quando avaliamos a marca, no ano passado, uma revista que pertence a um segmento muito pequeno, com bons concorrentes como a Crescer e a Pais & Filhos, não era muito lucrativa, mas ia bem. Percebemos que a mulher tinha outras necessidades e criamos então a família Meu Nenê. Hoje a família Meu Nenê é extremamente rentável. É formada pela revista Mãe (mensal), uma revista trimestral de Gravidez, uma revista trimestral de Quartos de Nenê, um Anuário de Bebê e uma revista semestral de Enxoval de Bebê. Elas são complementares, formam uma família. A mulher que está grávida, ela quer 200, 300, 500 páginas sobre gravidez, quando está decorando o quarto do filho, idem. Estamos fazendo o mesmo business com duas marcas que já são sólidas. É o caso da Corpo a Corpo. Esse ano será lançada uma revista bimestral, a Fitness; uma revista trimestral de cabelo e maquiagem, chamada Look; uma revista semestral de cirurgia plástica; uma revista anual que é o Anuário da Corpo a Corpo e uma outra edição maravilhosa voltada para o homem. O fato de ser a "editora das mulheres do Brasil" nos obriga a fazer revistas maravilhosas para os homens. Essa é a realidade, porque depois de tanta guerra, feminismo, quem é o sexo frágil, etc, a conclusão que chegamos é que nem as mulheres nem os homens são superiores. Somos parceiros, somos complementos e nós podemos falar muitas coisas para eles. Então, nós estamos aí com esses projetos maravilhosos voltados para o público masculino, mas com uma divisão independente, focada para ele. E é exatamente por ser a editora das mulheres do Brasil, sabemos da importância do homem nesse papel.

Mikio Okamoto

ER - Eu tinha pautado essa pergunta e até queria saber como você vai fazer. Vão contratar um time masculino?

Joana - Eu tenho um sócio, o Roberto Melo, que já está atuando diretamente neste projeto. Temos quase fechado um contrato com um diretor dessa divisão, que será homem. O diretor de arte é homem e eu vou poder dar minha presença feminina, que será uma presença minoritária. O homem quer ter sucesso na vida profissional e emocional, a linguagem é muito diferente. Ele não gosta daquele serviço de faça fácil, ele gosta de muitas informações, ele quer saber tudo. Em 1997, eu lancei a Principal, voltada para o homem contemporâneo. Eu acho que a revista também estava um pouco antes do tempo. Esse novo lançamento está no tempo certo. De 97 a 2004, seis anos depois, o homem mudou muito. As mulheres avançaram no mercado de trabalho, elas lideram a casa. Mas, cuidado com as suas decisões: não tentem destruir o masculino, nada contra, só a favor. Pelo amor de nossos filhos. Nós sempre tivemos o poder do útero, o poder do feminino, o poder do mercado, do trabalho. Tanto poder só com muita sabedoria. O nosso parceiro hoje precisa de mulheres que tenham uma força. Essa mulher não pode migrar para o mercado de trabalho e querer copiar a fórmula masculina. Ela carrega um estereótipo que não é real. Atualmente a Símbolo é uma empresa mais mista, que tem contratado mais homens, as equipes estão pedindo: eu quero mais homens na empresa, acredito que times mistos são os mais ricos, e é o reflexo da nova sociedade.

ER - Fora que o homem também se glamourizou de uma certa forma.....

Joana - Ele trouxe aspectos femininos para a vida dele, sem perder a identidade. Tem até o David Beckham, o famoso, jogador de futebol que é um homem acima de qualquer suspeita...

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