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Joana é um gênio
Maria Célia Furtado

Mikio Okamoto
Acompanho a trajetória editorial da Joana Woo desde o começo. Na época, era interessante o fato de que ninguém a conhecia pessoalmente, apenas os seus lançamentos. Ouviam-se histórias das mais curiosas, sobre um certo chinês, que era seu sócio, e, chinês, há 20 anos, era sinônimo de desconhecido, misterioso.

Vi a Joana pela primeira vez em um raro coquetel da APPAssociação Paulista de Propaganda. Era tão jovem, simpática, com aquela cara redonda, risonha. O que realmente marcava era sua conversa, quase um discurso, uma defesa de idéias em alto e bom som para quem quisesse ouvi-las.

Durante muitos anos, me passou a imagem da perfeita executiva no comando de sua empresa, com lançamentos originais e todos brotando de sua cabeça.

Fui reencontrá-la há alguns anos e atualizando nossa conversa em um rápido histórico da evolução de nossas vidas, surpreendo-me com o discurso espiritualista, meio esotérico da Joana, acompanhado com veemência pela Regina Bucco (sócia e diretora comercial da Símbolo). Logo após, fui convidada para um encontro espiritual. Na ocasião, quase cai de costas com a figura da Joana. Tive um ataque de risos por uns bons minutos. Ela estava de bata clara, saia longa, mil colares... Acho que tinha também uma pena em algum lugar. Estava irreconhecível e com um tamborzinho na mão e tocou o tambor para mim. Foi delirante, inesquecível!

Quem era afinal aquela Joana? Eu nem sabia bem o que era o xamanismo. Sai tão curiosa que fui consultar vários livros.

Uma certeza é incontestável, tudo que a Joana faz é por completo: de corpo e alma, uma entrega total.

Essa entrevista vai corroborar esta idéia. É uma guerreira no plano material e espiritual.

Fazer esta entrevista foi delicioso. A Joana é uma interlocutora vivaz, receptiva e ágil. Fala sem parar e sempre com um tom de discurso, defendendo suas idéias.

Fizemos uma aposta para ser comprovada em dezembro. Torço para que ela ganhe.

Mikio Okamoto
Em Revista - Joana, vamos às perguntas de praxe: Como você começou sua vida no mercado editorial? O que você fazia antes? Eu acho que muita gente ainda não sabe...

Joana Woo - Foi uma coisa muito interessante, até o Roberto Muylaert está envolvido e nem sabe. Fiz os cursos de Direito e Belas Artes porque gostava de escrever e de imagens. Já era grande leitora de revistas e, em 1983, fui trabalhar como assistente de marketing de uma indústria que na época fabricava os adoçantes Doce Menor e Assugrin. Sem ter nenhum conhecimento de marketing, topei o desafio e felizmente me sai muito bem.

Foi muito interessante para minha vida profissional. O sócio com 50% do capital nacional era de origem chinesa e a outra parte pertencia ao grupo internacional Hermes Sweeteners, que é o maior fabricante de adoçantes do mundo. É uma empresa que tem muitos produtos no mercado. O senhor Sheng Kai ficou muito famoso por ter construído o maior centro budista da América Latina. Eu o conheci porque lecionava português aos seus filhos e, talvez pela minha criatividade, ele me convidou para participar de sua empresa, na área de marketing. Eu fiquei perdida na empresa. Então fui à livraria Cultura e comprei todos os livros sobre o assunto, para saber o que era marketing. Rapidamente me familiarizei com a empresa devido aos meus traços orientais. Meu pai é chinês, minha mãe é japonesa, eu sou nascida no Brasil, brasileiríssima. Assim, rapidamente me integrei ao grupo. Depois de algum tempo, fiz um enorme relatório para a chegada do meu presidente. Foi difícil ter dois minutos de seu tempo, mas consegui passar-lhe meus argumentos em favor da qualidade de vida, propus a venda de adoçantes nos supermercados na área alimentícia, eliminando o conceito de "remédio". Essa era a tendência que ele acabara de ouvir vindo da Suíça. Daí falei do lançamento do refrigerante dietético, que ainda não existia e que nós tínhamos de lançar vários produtos dietéticos, gelatina, geléia. Comecei a ver um crescimento enorme desse nicho que é a qualidade de vida, que é ainda hoje a especialidade da Finn. Ele ficou tão entusiasmado que me abriu novas frentes de atuação. Eu disse a ele: "Quero ter uma chance. Se eu puder ser a gerente ou a diretora... Eu não quero chefe, eu quero responder diretamente para você, que é o presidente, e para a Suíça." Foi difícil aprovar meu pedido na matriz: Não era homem, não tinha inglês fluente e tinha apenas 21 anos. Lá fui eu fazer um estágio na Suíça. Na volta, me contrataram como responsável pelo marketing, mas sob a supervisão do diretor de Marketing Internacional, uma pessoa maravilhosa, que me ensinou muito, mas que também aprendeu o que é uma sociedade com altas taxas de inflação, completamente diferente da realidade dos suíços.

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