Mr. Entusiasmo Em visita à Aner, Charles "Chuck"
McCullagh, vice-presidente da MPA -
Magazine Publishers of America,
avalia o mercado mundial e demonstra
muito entusiasmo com a economia
brasileira
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| Charles "Chuck" McCullagh, vice-presidente da MPA |
Sorridente e bem disposto após a longa viagem Nova Iorque-São
Paulo, mr. McCullagh me recebe com uma ótima notícia: apesar
da retração econômica dos últimos anos, o cenário
está se transformando e o Brasil é alvo de grande interesse
para os players internacionais. "Há três anos estive
aqui pela primeira vez e fiquei positivamente surpreso com a sofisticação
tecnológica e os avanços econômicos que o país
tem feito", Chuck diz entusiasmado. "Quando falo sobre o Brasil
com editores em diversos países, todos vêem o país
como uma boa oportunidade de negócios. Principalmente, após
a mudança na legislação sobre empresas de comunicação,
que abriu o mercado para o capital estrangeiro".
Demonstrando conhecer bem nosso país, McCullagh registrou que,
ao contrário do que se previa, a eleição de Lula
não provocou nenhum desastre econômico. A inflação
está sob controle e os indicadores econômicos apontam para
a estabilidade, o que é muito bom em um momento de crise global.
"Sempre houve uma imagem fantasiosa sobre o Brasil. Até o
governo do presidente Fernando Henrique, havia uma série de suposições
que levavam os investidores a ter muitas reservas sobre o Brasil. Com
a intensificação da troca de informações,
a percepção dos empresários dos países desenvolvidos
está mudando positivamente", avalia.
Quanto ao mercado editorial brasileiro, Chuck disse que ficou surpreso
com a qualidade dos serviços de distribuição num
país tão vasto e também com a
sofisticação que existe no sistema de vendas de assinaturas
por internet.
Declarando ser fã de nosso país, McCullagh foi absoluto
ao afirmar: "Está chegando o momento do Brasil e isso está
ocorrendo de uma maneira muito
significativa". Porém, observou que ainda há duas questões
que devem ser resolvidas: a desigualdade social e a distribuição
irregular de renda. Para ele, "a
Rússia só cresceu como um todo quando criou condições
para o desenvolvimento de uma classe média forte e estável.
A China também trabalhando neste sentido e aqui no Brasil não
vai ser diferente".
Oportunidades à vista - Chuck aponta que há uma
tendência mundial de aquecimento no mercado das revistas masculinas.
O homem urbano ativo, antenado com as novidade e que se preocupa com sua
aparência desponta como um consumidor de excelente potencial para
as revistas. Para exemplificar, ele cita o sucesso que revistas como a
Men's Health e a Maxim vêm alcançando nos últimos
anos e informa que mundialmente há ascensão de revistas
desenhadas para o homem. "Aqui, a Editora Abril tem dois títulos
muito fortes, a Playboy e a VIP, que são revistas muito bem feitas.
Mas, este mercado tem um potencial que ainda não está sendo
devidamente explorado", afirma.
Chuck acredita que há espaço para revistas masculinas
que abordem temas de interesse geral como moda, saúde, relacionamentos
e cuidados com o corpo. Uma espécie de "versão masculina"
da Cosmopolitan (aqui no Brasil, revista Nova), com mais senso de humor.
"Hoje, o homem está mais aberto a determinados assuntos que
antes eram considerados exclusivamente femininos. Porém, a essência
é mais pragmática e nenhum homem quer ir tão fundo
para discutir relacionamentos. Então, tem de ser divertida",
brinca.
Voltando à seriedade, Chuck destaca a importância do crescimento
das marcas globais direcionadas para o mercado masculino, revelando um
número bastante promissor: "Nos últimos anos, houve
um crescimento em torno de 50 milhões de
novos compradores de revistas do sexo masculino. O que é incrível,
porque antes o homem comprava quase que unicamente as revistas de esporte,
automóveis e garotas. Hoje há uma procura maior por títulos
sobre moda, cultura, ciência e tecnologia".
Exemplificando o potencial desse tipo de publicação, Chuck
destacou os bons resultados obtidos com o lançamento da revista
Scientific American aqui no Brasil. "Fora dos Estados Unidos, o Brasil
é o quarto melhor mercado em
vendas dessa revista, ficando atrás somente da Alemanha, da França
e da Itália. E isso ocorreu num período muito curto",
comemora.
| Chuck: "há uma tendência mundial de aquecimento
no mercado das revistas masculinas, um exemplo, são a Men's Health
e a Maxim" |
Por outro lado, Chuck pontua que os anunciantes vêm exercendo uma
pressão maior sobre os editores, em busca de dados que confirmem
a efetividade dos investimentos realizados. O momento é de retorno
imediato, em detrimento à construção de marcas e
as verbas de comunicação têm migrado para promoção,
internet e ponto-devendas. Isto pode ser extremamente prejudicial para
as marcas a médio e longo prazos por gerar "comoditização"
na percepção de produtos.
Para responder aos anseios dos anunciantes, Chuck observa que as pesquisas
sobre hábitos de leitura estão se sofisticando profundamente,
entrando na mente do consumidor de forma detalhada e fornecendo dados
mais precisos e consistentes sobre seus hábitos e atitudes. Um
estudo realizado pela Northwestern University, sob supervisão da
MPA, apontou que - apesar de as pessoas passarem cinco vezes mais
tempo diante da TV que das revistas -, o índice de retenção
de mensagem e a efetividade da ação de compra dessas últimas
é maior.
Os estudos demonstraram também que os leitores de revistas têm
uma profundidade de conhecimento muito maior que os espectadores que são
expostos apenas a outras mídias. Além disso, as novas gerações
agem de maneira multitarefa, isto é, fazem várias atividades
simultaneamente, como ver TV, ler revistas, jogar games e navegar na internet
ao mesmo tempo. Mas, como as revistas requerem uma atenção
maior, o nível de retenção das mensagens é
superior a todos os outros meios.
Finalizando nossa conversa, Chuck acrescenta que está muito animado
com o mercado editorial brasileiro e convida todos a compartilhar esse
otimismo com ele. Cheers, mr. Chuck!
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