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Reciclar idéias
Por Marcelo Faisal, arquiteto e paisagista

Marcelo Faisal, arquiteto e paisagista

Quando era pequeno, tive de fazer um longo tratamento dentário. Ali, na sala de espera do consultório, descobri a magia fascinante das revistas. Dentre elas, a Seleções me chamava a atenção pelo formato diferenciado e pela diversidade de assuntos, despertando minha imaginação. Foi o início do meu relacionamento de carinho com as revistas.

Lembro também de folhear com prazer as revistas Casa & Jardim. Não sabia qual seria minha profissão, mas adorava ficar olhando aquelas figuras. Obviamente, sem a visão crítica que tenho hoje, mas talvez, inconscientemente, foram essas revistas que despertaram meu interesse por arquitetura, paisagismo e decoração.

Já na adolescência, a Playboy era exibida como sinal de maturidade: que delícia ver aquelas mulheres tão lindas que faziam eu me sentir mais adulto e mais maduro.

Em casa, no escritório ou nas viagens, tenho um prazer enorme em ler, ver e colecionar revistas. Elas sempre me acompanham, me divertem e me inspiram.

Não leio as revistas técnicas, como Architetural Digest, porque não quero que meus projetos sejam influenciados por elas. Faço um trabalho holístico, que tem mais a ver com o conceito do projeto e com as pessoas que vão estar naquele espaço do que com as tendências em arquitetura e paisagismo.

"Adoro freqüentar as bancas e faço isso como se fosse um programa. É sensacional ver toda aquela variedade de assuntos e saber que na banca tem a informação que você quer"

Fora essas, leio revistas de todos os tipos. Elas dão repertório para criar conceitos e conteúdos. Elas não influenciam diretamente no meu trabalho, mas uma matéria de moda, por exemplo, pode ter informações que ficam no meu inconsciente. De repente, posso fazer uma releitura e aplicar em um projeto.

Profissionalmente, já fizeram diversos editoriais sobre meus projetos, e isso dá uma grande credibilidade a tudo que faço.

Revistas são objetos preciosos que não consigo jogar fora. Não coloco nem mesmo para reciclar. Quando acumulo muitas revistas, faço doações para alguém que sei que precisa ou vai gostar. Porque, se as capas tratam de atualidades, muitas idéias contidas nas matérias são atemporais. Mesmo depois de muito tempo, continuam evocando memórias e despertando sensações que fazem o mundo das idéias girar. Assim, quando dôo as revistas, não estou reciclando papel, estou reciclando idéias.

 



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