Até para matar a saudade Por Fabiano Araújo, ator de teatro e TV e garoto-propaganda
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| Fabiano Araújo, ator de teatro e TV e garoto-propaganda
"quer pagar quanto?" das Casas Bahia |
Revistas são lindas, gostosas e mágicas. Mágicas não no sentido do truque,
mas de fazer truques com os nossos sentidos. Elas nos transportam para
lugares que nunca estivemos, nos apresenta a pessoas que desconhecemos
e nos levam a viver épocas que jamais vivemos. Aos oito, nove anos, eu
já viajava nesse universo mágico, mas muito real. Meus pais sempre tiveram
uma consciência política e uma preocupação social muito grandes. Ao contrário
das outras crianças, eu não fui criado com as fábulas clássicas, mas sim
com a realidade. Eu ainda era pequeno, e ficava horas lendo as revistas
semanais. Os temas eram complexos e talvez eu fizesse uma interpretação
curiosa. Mas, de alguma forma, eu entendia mais de política que qualquer
um na minha classe.
Essa curiosidade despertou meu interesse pelas revistas científicas e
uma época eu fiquei completamente fascinado pela ufologia. O mistério
sobre seres de outros planetas, misturado com um toque científico me tornaram
um leitor voraz de revistas sobre o tema. Eu adorava ler aquilo e, depois,
ficava contanto aquelas "fantásticas história de terror".
Esse gosto pelas revistas sempre me acompanhou e me acompanha até hoje.
No meu carro, levo um kit trânsito, com CDs e revistas de todos os tipos.
Semanais, especializadas, de fofocas. Aliás, para esvaziar a cabeça, nada
melhor que essas revistas de fofoca.
| "Adoro freqüentar as bancas e faço isso como
se fosse um programa. É sensacional ver toda aquela variedade de assuntos
e saber que na banca tem a informação que você quer" |
Com as semanais, sinto até certa ansiedade para saber de tudo que está
ocorrendo e me manter atualizado. Se não tiver lido toda a revista no
dia que a recebo, eu a levo até mesmo no set de filmagem e, entre um take
e outro, aproveito para ler mais um pouco.
Já as mensais eu leio mais devagar, para depois conversar com os amigos.
É isso: leio as revistas mensais como se fossem livros.
Quando as revistas não estão comigo, eu é que estou com elas. Sou capaz
de passar horas numa banca, recebendo informações e descobrindo coisas
novas. Isso até ajuda a compor personagens. Não de uma maneira objetiva,
tipo "li isso, vou fazer aquilo". Mas de uma forma não linear. As informações
ficam no inconsciente, se misturam e fazem com que eu tenha muitas idéias.
Agora, uma coisa que realmente me fascina é que as revistas antigas continuam
sendo atraentes mesmo depois de muitos anos. Eu tenho uma natureza nostálgica
e fico encantado com as revistas dos anos 50, 60, 70. As fotos, os textos,
a diagramação... Elas têm um requinte gráfico primoroso e acho aquilo
tudo maravilhoso. Dá até para matar a saudade. Saudade da minha infância,
com o Brasil na Copa e até mesmo de épocas distantes, em que ainda nem
tinha nascido. |