Revolucão Cultural Num país com uma diversidade
tão grande como as suas dimensões,
as revistas de arte, cultura e
entretenimento expõem o melhor das
produções brasileira e internacional
Origem comum, personalidades diferenciadas - Apesar de ter características
exclusivas, com personalidades fortes e muito bem definidas, essas revistas
guardam certa semelhança em sua origens. A principal delas é a intensa
paixão de seus criadores por todas as manifestações da arte e da cultura,
um universo rico em todos os sentidos. Há também o constante desejo de
ir além do que é exposto pela grande mídia. Essas publicações revelam
perspectivas diferenciadas e mais particularizadas da cultura, indo sempre
além do que é produzido e comercializado para as grandes massas. E há
ainda a necessidade atender às expectativas de um público que busca uma
informação mais consistente e aprofundada, com críticas e análises realizadas
por profissionais que possuem elevada bagagem cultural.
"Há sete anos, quando a revista Bravo foi lançada, percebemos que
existia uma demanda de um público que queria fugir do que é oferecido
pela grande indústria cultural. Um público que busca estar em contato
com o que existe de melhor em termos de produção cultural e que não é
divulgado pela grande mídia", afirma Michel Laub, editorchefe da revista.
Compartilhando desse ponto de vista, Wagner Nabuco informa que a Caros
Amigossurgiu do desejo de um grupo de profissionais extremamente experiente
dar uma resposta diferenciada para o modelo globalizado que delineava
nos meados dos anos 90. "Um modelo muito hegemônico tanto na mídia internacional
quanto na brasileira. O mercado mainstream afirmava que as pessoas não
gostam mais de ler. Então tudo ficou muito colorido, cheio de imagens
e infografia. Mas sabemos que existe no Brasil um conjunto de leitores
que querem e gostam de ler. Para eles, não existem textos longos, e sim
textos bons ou ruins", afirma.
Além de contar com leitores qualificados, este mercado também vem observando
a contínua ampliação de seu público. Há cerca de três anos, cerca de 70%
dos leitores era de sexo masculino. Hoje, o universo dos leitores de cultura
se expandiu tanto para o público feminino, quanto para pessoas mais jovens.
Isso se explica devido a dois fatores contemporâneos: nos últimos anos,
assistimos a um aumento significativo da presença feminina no mercado
de trabalho. Com maior poder de compra, as mulheres passaram a consumir
mais. E também a se informar ainda melhor. Além disso, a internet possibilitou
o acesso mais rápido e mais intenso à informação para um número maior
de pessoas. Nabuco confirma esse ponto dizendo: "Hoje existe uma garotada
de 14, 15 anos que é muito bem informada e que tem condição de entender
um texto mais elaborado. Por isso, nossa revista passou a ser adotada
também em algumas das melhores escolas de segundo grau".
Para atender a públicos tão diversificados e exigentes, essas revistas
têm mais um ponto em comum entre si: nomes de peso em seus expedientes.
Todo corpo editorial, bem como todos os colaboradores, são profissionais
de grande destaque no cenário cultural e formam a alta intelectualidade
brasileira. Esse elevado padrão de qualidade também está presente nos
projetos gráficos que são realizados por designers brasileiros reconhecidos
internacionalmente. Some-se a isso um time de fotógrafos e ilustradores
de primeiríssima linha. São tantos os talentos que seria preciso uma matéria
exclusiva só para listar os grandes nomes que deixam suas marcas nas páginas
dessas publicações. Unindo todos esses ingredientes de alta qualidade,
o resultado não poderia ser melhor. Por isso, as revistas culturais são
tão boas de ler quanto de ver. E, melhor ainda, de pensar.
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