A revista faz escola, a escola faz revista Com o crescimento do mercado editorial,
faculdades de jornalismo passaram a adotar
currículo específico que ensina como se faz revistas.
Saiba como estão sendo preparados os
profissionais que vão fazer as
publicações do futuro
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| Carlos Costa, da Casper Líbero, que edita a Esquinas
de SP: "Os alunos não apenas criam a pauta e discutem a abordagem
como realizam todas as reportagens, fazem apuração e edição de texto,
as fotografias e edição de imagem" |
Soa o sinal e os alunos entram na sala de aula. É uma sala diferente das
tradicionais que têm apenas mesas, cadeiras e um quadro negro. Sobre cada
mesa há um computador, fazendo com que o ambiente lembre a redação de uma
editora. Na verdade, é uma redação. Estamos na Unifiam-Faam e os alunos
do sexto semestre trabalham na próxima edição da revista Paulistana. Com
cerca de 60 páginas e uma tiragem que chega a 3.000 exemplares, a revista
aborda temas culturais nos seus mais diversos aspectos. Neste mês, por exemplo,
a matéria de capa é sobre os 450 anos de São Paulo, sob a ótica da arquitetura
da cidade. Já a edição de fevereiro de 2003 mostrava a arte do rapper Sabotage.
Foi quando o músico deu sua última entrevista, antes de ser brutalmente
assassinado.
"Há quatro anos, fizemos uma reformulação no currículo e passamos a adotar
matérias específicas para ensinar fazer revistas. A Paulistana surgiu
de um TCC - Trabalho de Conclusão de Curso realizado no fim do ano 2000.
Por trazer temas tão interessantes como diversificados, a revista passou
a fazer parte do projeto pedagógico, se tornando um veículo permanente
da nossa instituição", explica Rosemary Bars, coordenadora de Habilitação
de Jornalismo.
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| Francisco Bicudo, da Anhembi Morumbi. "Desde o primeiro
semestre, os alunos recebem informações teóricas e têm continuamente
atividades práticas para que desenvolvam aptidões compatíveis com
o que vai ser exigido pelo mercado real de trabalho" |
Custeada pela faculdade, mas totalmente produzida pelos alunos, nessa
publicação os estudantes podem exercitar na prática a confecção de uma
revista, desde a criação das pautas até o produto final impresso. "É um
projeto que se materializa de verdade. Afinal, a teoria constrói conhecimento,
mas é preciso praticá-lo. E um dos papéis fundamentais da faculdade é
transformar o conhecimento teórico em utilidade prática", Rosemary ressalta.
Além disso, a coordenadora destaca a importância de que professores que
ministram os cursos tenham experiência prática em editoras de revistas.
"Nosso corpo docente é formado por profissionais atuantes no mercado editorial,
como a professora Claudia Ribeiro, que trabalha na revista Casas e o professor
Claudio Rossi, que tem larga experiência atuando como chefe de redação
da revista Elle", exemplifica.
Sigo para a ECA - Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São
Paulo, onde sou recebido pelo professor José Coelho Sobrinho, chefe do
Departamento de Jornalismo e Editoração. Logo ao chegar, ele me mostra
uma publicação que - apesar do papel estar amarelado pelo tempo - tem
uma capa que poderia ter sido criada hoje. "A revista K começou a ser
publicada em 1971, numa época em que tudo era feito à mão", Coelho explica
reforçando que, "por mais difícil que fosse, a ECA sempre teve uma tradição
de publicar revistas". Em seguida, ele logo apresenta a mais recente publicação
da faculdade: "A Babel está no seu 11º número e há quase seis anos ela
é totalmente criada, pensada, escrita e materializada pelos alunos. Esta
aqui é a Babel Marginal, que fala de assuntos de interesse geral da sociedade.
Mas ela está dando frutos e em breve vamos lançar a Babel que vai tratar
unicamente sobre jornalismo investigativo". O professor revela ainda que
existem parcerias com grandes editoras como Globo e Abril, que fortalecem
ainda mais o aspecto da prática da confecção de revistas com palestras,
workshops e cursos de especialização.
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| José Coelho Sobrinho, da ECA-USP: "Mesmo na época
da repressão, por mais difícil que fosse, a ECA sempre teve uma tradição
de publicar revistas" |
Essa questão também é destacada como essencial pelo professor Francisco
Bicudo, coordenador geral do curso de jornalismo da Universidade Anhembi
Morumbi. Segundo o professor, "em 2002 houve uma reformulação do currículo,
com a inclusão de disciplinas específicas, como a de técnicas de redação
em revistas. Mas, desde o primeiro semestre, os alunos recebem informações
teóricas e têm continuamente atividades práticas para que desenvolvam
aptidões compatíveis com o que vai ser exigido pelo mercado real de trabalho".
Para exemplificar, ele destaca as publicações Noticiário Vila Olímpia
e Noticiário Campus Centro: "São dois veículos que editamos regularmente
e que já têm um projeto gráfico já definido. Porém, as pautas são formadas
por assuntos diretamente relacionados aos bairros onde estão situados
os nossos campi e são totalmente elaboradas, desenvolvidas e produzidas
pelos alunos". Além disso, os estudantes produzem também a revista Tema,
que aborda assuntos ligados à atualidade. "A cada número há um enfoque
diferente. Já foram feitas a Tema Poder, Tema Violência, Tema Prazer e
a Tema Qualidade de Vida. A última, foi a Tema Tribos Urbanas. Os alunos
formam grupos e dividem as tarefas, exercitando toda a rotina de uma redação",
explica.
Na Faculdade Casper Líbero, uma das mais tradicionais instituições de
ensino em Jornalismo do Brasil, o curso prático de revistas recebe também
especial importância. Segundo o professor Carlos Costa, que ministra o
curso de Design Gráfico e Jornalismo em Revista, a faculdade edita a Esquinas
de SP, uma publicação que conta com a total participação dos alunos. "Eles
não apenas criam a pauta e discutem a abordagem como realizam todas as
reportagens, fazem apuração e edição de texto, as fotografias e edição
de imagem. Alunos do segundo e terceiro anos são os repórteres e os alunos-monitores
do terceiro ano são os editores. Sempre sob supervisão dos professores
de jornalismo", informa. Tendo dirigido revistas como Playboy, Quatro
Rodas e Elle, Costa traz para a sala de aula toda bagagem prática absorvida
em 27 anos de experiência na Editora Abril.
Em todos os casos, fica nítido que, devido à expansão contínua do mercado
de revistas, as faculdades têm cada vez mais uma grande preocupação em
dar aos alunos ferramentas que propiciem a criação de um projeto editorial
em todas as suas etapas.
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