A força das imagens Escrita com luz Fotos que denunciam, que explicam,
que emocionam: o fotojornalismo traz
o mundo para as páginas das revistas
com imagens que marcam época e mudam
a história da civilização
Realidade, ficção e tecnologia - No fim da Segunda Guerra Mundial,
os olhos do fotógrafo Henri Cartier-Bresson estavam cansados de registrar
tanta tristeza e destruição. Ele cogitou parar de trabalhar com fotojornalismo
para se tornar um fotógrafo surrealista. Robert Cappa, seu mentor profissional,
foi irredutível: "Se assumir o rótulo de surrealistas você vai ficar apenas
no maneirismo. Fazendo fotojornalismo é que você vai poder revelar o que
é realmente surreal". Para felicidade do mundo, Cartier-Bresson seguiu
os conselhos de Cappa e juntos fundaram a agência Magnum, que até hoje
brinda nosso olhar com imagens emocionantes.
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Jorge Araújo
"O repórter fotográfico é um clínico geral.
Ele precisa saber de tudo o tempo todo e estar cercado de dados
para registrar o fato com precisão. É preciso ser um filho legítimo
da informação"
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Analisando essa passagem, Campos Mello comenta que "existe uma batalha
entre a ficção e a realidade e nessa guerra, a realidade está sobrepujando
a ficção". Para ilustrar a idéia, Campos cita os cartunistas Chico e Paulo
Caruso: "Na época da ditadura, os irmãos Caruso diziam que a realidade
de Brasília era tão absurda que até dispensava a necessidade de fazer
humor".
A tecnologia facilita globalização da informação e agiliza a vida dos
fotógrafos, que retribuem com imagens cada vez mais instantâneas entre
o fato e sua publicação. "Em 91, quando fui cobrir a Guerra do Golfo,
tinha 75 quilos de bagagem. Hoje, levaria menos de 10", contabiliza o
diretor de redação da IstoÉ.
Além de velocidade, a fotografia digital imprime maior fidelidade ao
olhar de quem esteve presente na hora do clique, Maier garante. "Antes
da foto digital tínhamos de enviar o filme inteiro para o editor de fotografia.
Era ele quem escolhia entre tantas fotos a que iria ser publicada. Hoje,
envio três ou quatro imagens instanteamente por e-mail. Além de ganhar
tempo, a edição fica muito mais nas minhas mãos, que estive lá presenciando
os fatos, do que nas mãos do editor, que ficou dentro da redação a quilômetros
de distância", sentencia.
Há muitos anos, esse salto qualitativo que a tecnologia traz já estava
no foco de Robert Cappa. Diante de câmeras mais leves, menores e com filmes
mais sensíveis, o fotógrafo profetizou: "Para nós, o futuro é uma combinacão
entre minicâmeras e mentes máximas".
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Henk Neiman
"A foto tem de revelar contrastes,
mostrar pontos de vista diferentes. Esses pólos opostos criam uma
corrente e é essa energia que revela mais intensamente a essência
da história porque faz o leitor refletir"
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Hoje, esse futuro chegou e a tecnologia se integra ao fotojornalismo,
abrindo corações e mentes em busca de um planeta melhor. Afinal, como
diz o fotógrafo Jorge Araújo, que emprestou sua visão para o título desta
matéria, "nosso trabalho é escrever a história com a luz". E, pelo que
vemos nas páginas das revistas, essa história é e continuará sendo sempre
muito bem escrita.
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