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A força das imagens
Escrita com luz
Fotos que denunciam, que explicam, que emocionam: o fotojornalismo traz o mundo para as páginas das revistas com imagens que marcam época e mudam a história da civilização

Henk Nieman, editor de fotografia da revista Bravo, enquadra também uma visão estética e filosófica sobre o que faz com que uma imagem ganhe destaque e marque a memória para sempre. Segundo ele, "a foto tem de revelar contrastes, mostrar pontos de vista diferentes. Esses pólos opostos criam uma corrente e é essa energia que revela mais intensamente a essência da história porque faz o leitor refletir".

Revelando emoções - O valor informativo é o objetivo principal de uma fotografia jornalística. Mas o olhar único dos fotógrafos vai muito além do simples registro dos fatos e nos transportam até o local dos acontecimentos, via imagens registradas com intensa emoção.

John Maier

"Quando fiz a reportagem sobre o trabalho escravos nas carvoarias, convivi intensamente com as famílias que trabalhavam lá. É impossível não se envolver emocionalmente com uma situação tão absurda. Eu passei um dia inteiro com eles e voltei coberto de pó para o hotel. Enquanto tomava banho para me livrar daquela sensação horrível de sujeira, fiquei pensando que aquelas famílias ainda iriam continuar lá por muito tempo"

"Na cobertura de um conflito armado, o instinto de sobrevivência faz você criar coragem para manter um olhar eficiente e tentar reter na memória ao máximo tudo que está acontecendo" afirma Campos Mello. "Mas manter a isenção do olhar durante uma batalha é complicado", avalia.

Relembrando um capítulo importante da história do Brasil, Araújo relata um dos momentos de sua carreira em que razão e emoção se fundiram, resultando em imagens absolutamente comoventes: "Eu estava cobrindo o enterro de Tancredo Neves em São João del Rey e o Brasil vivia um momento político exrtemamente delicado. Quando começou a baixar o caixão, eu olhei para uma janela e vi uma senhora com uns 70 anos que estava tendo um enfarte. Na hora, eu queria pedir ajuda, mas não podia gritar. Então, eu fotografei o enterro e a cena. No meu trabalho é preciso ser frio e estar sempre concentrado para registrar a notícia, mas naquele dia eu percebi que era humano. Tem coisas que mexem com as estruturas de qualquer um".

O fotógrafo John Maier tem imagens estampadas em revistas de prestígio internacional como Time Magazine e Fortune. Vencedor do prêmio Emmy de Pesquisa com o documentário Crianças Atrás das Grades, Maier relata seu envolvimento emocional com o tema fotografado. "Quando fiz a reportagem sobre o trabalho escravos nas carvoarias, convivi intensamente com as famílias que trabalhavam lá. É impossível não se envolver emocionalmente com uma situação tão absurda. Passei um dia inteiro com eles e voltei coberto de pó para o hotel. Enquanto tomava banho para me livrar daquela sensação horrível de sujeira, fiquei pensando que aquelas famílias ainda iriam continuar lá por muito tempo", comenta.

Toda indignação de Maier veio registrada nestas fotos e as imagens mudaram a história do País. Ao serem publicadas na revista Time, a imprensa internacional fez intensa pressão sobre o ex-presidente Fernando Henrique. A partir dessas pressões, o governo brasileiro entrou em ação e o trabalho escravo foi reduzido drasticamente. "Dá uma imensa satisfação ter me envolvido profundamente com as pessoas fotografadas e saber que mudei positivamente a realidade", orgulha-se Maier.

A importância do envolvimento com os fatos é essencial para Henk Nieman. Segundo ele, quando o fotógrafo se envolve mais intensamente, ele captura melhor a verdadeira essência dos fatos. "Ao fazer as fotos dos refugiados na África, Sebastião Salgado acompanhou o êxodo das tribos, convivendo diariamente o drama. Com isso, conseguiu expressar o que estava realmente estava ocorrendo com aquelas pessoas, não se limitando apenas em fazer o registro do que estava vendo", afirma.

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