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A força das imagens
Escrita com luz
Fotos que denunciam, que explicam, que emocionam: o fotojornalismo traz o mundo para as páginas das revistas com imagens que marcam época e mudam a história da civilização

Noite no Iraque. Mísseis cruzam o céu num espetáculo que mistura terror e videogame. Mais perto daqui, o traficante dispara sua Uzzi sinalizando a chegada de nova carga de cocaína. Entre as duas cenas, o repórter fotográfico fica à espreita e também dispara sua câmera, registrando com olhar aguçado cenas tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas. Em pouco tempo, a realidade nua e crua está estampada nas páginas das revistas e o mundo tem nova consciência do planeta.

Testemunha ocular da história, muitas vezes o fotógrafo arrisca a própria vida para conseguir a imagem ideal. Por isso, preparo físico, olhar aguçado e mente rápida são alguns dos ingredientes de uma foto. É preciso tudo isso e muito mais para fazer uma boa fotosreportagem. "A foto tem de contar a história e esta história tem de ser compreendida por qualquer pessoa, seja leigo, intelectual, russo ou japonês", explica Jorge Araújo, um dos mais importantes fotojornalistas do Brasil.

Hélio Campos Mello

"Na cobertura de um conflito armado, o instinto de sobrevivência faz você criar coragem para manter um olhar eficiente e tentar reter na memória ao máximo tudo que está acontecendo"

Com 30 anos de profissão, cinco Copas do Mundo, diversas posses presidenciais e mais de 50 prêmios na bagagem, Araújo é categórico: "O repórter fotográfico é um clínico geral. Ele precisa saber de tudo o tempo todo e estar cercado de dados para registrar o fato com precisão. É preciso ser um filho legítimo da informação". O fotógrafo reforça ainda a importância de ter uma estrutura emocional fortalecida. "Nosso trabalho é sem fronteiras. Um dia você pode estar num palácio, e no outro, numa favela. Você vê coisas lindas e, às vezes, vê a face da morte. Então, se não estiver bem preparado, a realidade te derruba", completa.

Para Hélio Campos Mello, diretor de redação da IstoÉ, "foto boa é a que chega a tempo de ser publicada". Ele destaca ainda que poder de síntese, agilidade, memória também são equipamentos obrigatórios para um repórter fotográfico. "Só assim ele pode transmitir aos leitores a essência do momento que está presenciando".

Vencedor do Prêmio Esso quando cobriu a Guerra do Golfo, em 1991, Campos Mello é talvez o único diretor de redação do Brasil que é fotógrafo. Vivenciando o dia-a-dia do conflito no Iraque, ele acrescenta ainda outros ingredientes no caldeirão do bom fotojornalismo: "Na cobertura da guerra, a adrenalina é o combustível", afirma. Assim que acabou a operação Tempestade no Deserto, o país entrou em guerra civil. Hélio e seu companheiro de reportagem William Waack entravam pelo sul do país quando foram presos pelos xiitas. Ele relembra essa situação de estresse absoluto: "Ficamos uma semana comendo muito pouco e dormindo menos ainda. Então, não dá para não ficar com medo. Nesses momentos, o que sustenta é a adrenalina. É ela que dá coragem para ficar atento à notícia e força para não pensar em suicídio".

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