Grande guerreiro do negócio das revistas. Ele é o Super Angelo Maria Célia Furtado entrevista Angelo Rossi
ER - Quem você gostaria de ter contratado mas não contratou?
AR - Não lembro de ninguém num primeiro momento, acho que não
tem ninguém, dentro das minhas condições de contratar, matei todas as
minhas vontades. Estou muito satisfeito com a minha equipe. (Risos) Não
me lembro de ninguém que tenha me frustrado em termos de não poder contratar.
ER - Em termos de Brasil, qual revista você acha que
foi o maior sucesso editorial?
AR - O maior sucesso editorial, sem dúvida, é a Veja. E o sucesso
mais rápido é a Caras. Nunca vi nada dar retorno tão rapidamente quanto
a Caras. No sexto mês, ela já estava plantada no mercado.
ER - E internacionalmente, qual é o maior sucesso? O
que explodiu editorialmente? A idéia que deu mais certo?
AR - Recentemente foi a Maxim. É uma revista que tem seis ou sete
anos. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, ela está superbem conceituada.
Seus últimos números foram de absoluto sucesso. Esse segmento masculino
está crescendo demais.
ER - Todos sempre diziam que quem vai mais à banca é
a mulher...
AR - Isso mudou no mundo inteiro. O problema é que o mercado masculino
estava um pouco esquecido.
ER - Qual a revista dos seus sonhos? Aquela que você
consideraria a publicação ideal?
AR - Aquela que não desse muito trabalho, não tivesse muito custo
e vendesse muito (risos). Brincadeira. Olha, não tenho nada assim muito
especifico, mas legal seria ter uma revista semanal, que tenha muito sucesso.
Uma revista semanal que tivesse grande representatividade.
ER - E um país como nosso tem umas dez semanais ou mais,
né?
AR - Tem mais. No mercado popular, está cheio, mas semanais de
informações não tem mais de cinco. O Brasil não é um país de revista semanal.
Não sei se vai passar a ser, mas se você pegar países como a Argentina
e os europeus, normalmente, as semanais têm mais força. No Brasil, as
semanais são mais tímidas. Na realidade, se você tirar as quatro grandes,
quer dizer as três grandes mais a Caras, só resta o mercado popular. Com
tiragem alta e preço baixo.
ER - Falando em Argentina, você já teve um sócio argentino.
Como foi essa experiência?
AR - Tive sim, o Fontevecchia, atualmente na Caras da Argentina.
Ele foi meu sócio de 1989 até 1992 na Editora América do Sul, que é uma
editora que editava a revista Semanário e a revista Minha. Foi muito interessante,
aprendi muito.
| "O Brasil não é um país de revista semanal. Não sei se vai passar
a ser, mas se você pegar países como a Argentina e os europeus, normalmente,
as semanais têm mais força. No Brasil, as semanais são mais tímidas. Na
realidade, se você tirar as quatro grandes, quer dizer as três grandes
mais a Caras, só resta o mercado popular. Com tiragem alta e preço baixo"
|
ER - A revista Semanário era popular, não era?
AR - Era popular, mas o preço não era tão popular naquela época.
Ela era meio tablóide. Infelizmente, não deu certo. O mercado não estava
respondendo. E foi naquele momento entre 1991 e 1992, no meio do governo
Collor. O mercado não estava muito bom. Se tivesse ocorrido em 1994 no
Plano Real, teria dado certo.
ER - Você chegou a trazer algum título de fora?
AR - Não trouxe nenhum de fora em nenhuma editora que tive.
ER - E com essa abertura de mercado, você acha que vem
gente de fora? Vai ter algum aquecimento ou mudança?
AR - Não sei se vem gente de fora, afinal, título importado é
sempre complicado. Acho que, futuramente, com a abertura do mercado, pode
ser que algumas editoras se interessem pelo mercado brasileiro, mas com
títulos totalmente fincados aqui. Eu não me lembraria, nesse momento,
de nenhum título estrangeiro que faria sucesso no Brasil.
ER - Uma inveja saudável.
AR - Na área editorial... Não faço idéia (risos). Sério! Estou
feliz com tudo que tenho.
ER - Qual foi uma grande oportunidade perdida do mercado?
AR - No mercado editorial, acho que foi não ter lançado mais títulos
no Plano Real, entre 1995 e 1996.
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