Grande guerreiro do negócio das revistas. Ele é o Super Angelo Maria Célia Furtado entrevista Angelo Rossi
ER - Como é que foi essa história de você ter feito
a Viagem & Turismo, depois vender para a Abril e logo roubar o editor
para lançar uma revista no mesmo segmento (risos). Como foi essa confusão?
AR - Não foi bem assim. Enfim, a Viagem & Turismo foi lançada
em 1992. Foi um sucesso na época, coisa que não tinha nada parecido no
mercado. Você lembra que, naquele momento, a revista veio com força total.
Em 1997, eu a vendi junto com a Azul e montei a Peixes em 1998. No final
de 1999, passados quase oito anos, falei: "Escuta, a Viagem & Turismo
está tão bem que ter uma revista para competir só vai ajudar". Foi então
que eu criei a Próxima Viagem e tive um pequeno desgaste com o Roberto.
Mas ele entendeu claramente o meu ponto e hoje estão aí as duas e existem
mais de dez revistas de turismo.
| "Acredito que o mercado vai depurar. Sem dúvida, quando a economia
voltar a crescer, as boas publicações terão sucesso. Quem conseguiu agüentar
esses últimos três anos e tiver um bom produto, com certeza, terá resultados.
Principalmente na área publicitária" |
ER - Você acredita que o mercado vai se recuperar de
acordo com a recuperação da economia ou você acredita que ele nunca mais
será o mesmo? Será que revistas estão ficando para trás?
AR - Acho que não, acredito que o mercado vai depurar, mas, sem
dúvida, quando a economia voltar a crescer, as boas publicações terão
sucesso. Quem conseguiu agüentar esses últimos três anos e tiver um bom
produto, com certeza, terá resultados. Principalmente na área publicitária.
Eu não acredito muito em um aumento muito forte na circulação. A circulação
tende a ir cada vez mais para a qualificação. Tirando as populares, revista
é qualificada. Mas, falando em revistas, é complicado. Hoje, uma revista
segmentada que tenha 50.000 exemplares equivale a uma popular de 1 milhão
de exemplares. A história no mundo de revista é qualificação. Não é que
vá dobrar a venda, a única vez que isso ocorreu foi no Plano Real. Mais
gente entrou no mercado, mas também tinham muito menos publicações. Então,
aumentou a circulação. Não aumentou a circulação individualmente, porque
entraram muitos novos editores. Acho que agora vai ocorrer uma depuração.
ER - Mas a verdade é que hoje a revista é cara.
AR - Mas se você transformar isso em dólar, não é não. Custam
2 dólares e pouco. Nenhuma revista no mundo custa menos de 3 dólares.
Infelizmente, a nossa moeda é subvalorizada e, para colaborar, a população
ganha mal.
ER - Outra grande curiosidade do mercado é: como você
comprou a Camelot sem dinheiro? Todos falam da sua habilidade de negociar.
AR - Eu acho que o futuro de qualquer negociação no mundo é o
que ocorreu. Não existe mais aquela história de compra e venda. Agora,
são feitas fusões. Fusão para tentar melhorar o custo fixo de cada empresa
com mais produto... Acaba sendo interessante para todo mundo. Não tem
hoje dinheiro para a compra. O que existe hoje é tentar juntar os coitados
que sobraram para tentar fazer alguma coisa, para tentar diminuir custos.
Não tem segredo. Foi um bom negócio para todo mundo. Juntaram-se as revistas
e definiu-se uma participação para cada lado e cortou- se os custos.
ER - Ele são seus sócios?
AR - São meus sócios. Na realidade, em vez de dinheiro, receberam
ações. O que é a melhor maneira de se fazer negócios e isso se repete
em qualquer segmento. Espero que tenha mais gente com vontade de fazer
isso (risos).
ER - Uma outra curiosidade: você está um pouco na contramão,
no modelo de empresa, porque hoje se fala em profissionalização, que é
uma forma de se tirar a família da empresa, e você tem uma estrutura familiar.
Você acredita nesse tipo de estrutura?
AR - Primeiro que a Peixes não tem todo esse tamanho...
ER - No Brasil, ter 120 funcionários é considerada uma
empresa grande...
AR - Depois, na Peixes tem apenas meu filho que trabalha na empresa
e a minha mulher, que é diretora de publicidade. De resto, a estrutura
é toda profissional.
ER - Então, você já começou a pensar em sucessão?
AR - Sem dúvida. Por isso, meu filho está na Rickdan, e espero
que esteja à vontade. Sucessão é isso. Ele está sendo treinado para cuidar
da empresa, mas depende dele se quiser continuar ou não.
ER - Quem é seu ídolo nesse mercado ou seu guru? Quem
você acredita que fez sua cabeça?
AR - Sem dúvida que meu maior ídolo foi meu pai. Acho que ele
me mostrou o caminho e meu deu a base dos meus princípios e valores. Depois,
acho que para toda essa velha guarda tem-se de tirar o chapéu. Mas para
citar duas pessoas a primeira seria meu pai e a segunda, o Victor Civita.
ER - E a garotada que está aparecendo? Quem você acha
que está no caminho?
AR - Olha, tem muita gente interessante nessa garotada, muitos
jovens despontando de maneira interessante. Para citar um exemplo, o Paulo
Lima da Trip, que está fazendo um trabalho extremamente bem conceituado,
uma coisa séria. E existem mais editores fazendo isso. Estou citando apenas
um para não correr o risco de ser injusto, mas o Paulo aparece em primeiro
lugar. Essa nova geração está fazendo um trabalho com estacas. Eu acho
que o mercado só acontece se você fincar estaca por estaca. De qualquer
jeito, estão fazendo isso aí.
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