Grande guerreiro do negócio das revistas. Ele é o Super Angelo Maria Célia Furtado entrevista Angelo Rossi
ER - Então, como você idealiza a revista?
AR - Sensibilidade, eu gosto disso, sempre gostei. Tenho boa sensibilidade.
Mas posso dizer que meu lado fraco é escrever. Meu lado forte são os números,
a visão, a sensibilidade e a análise do conjunto. Como eu estagiei em
todas as áreas da editora, isso me deu uma boa sensibilidade na análise
do conjunto. ER - Você é visto no mercado de revista como um dos
últimos revisteiros. Como é isso? O que é ser revisteiro?
AR - Olha, não é fácil, viu... Primeiro, que levar a fama de revisteiro
já é um peso, no bom sentido. Eu respirei revista por 30 anos, ou seja,
não tem muito jeito. Do Rio de Janeiro ao Infanto Juvenil, dirigi a Rio
Gráfica Editora, que hoje é a editora Globo. Depois, voltei para compartilhar
com o Thomaz Souto Corrêa a direção da Divisão de Revistas da Editora
Abril. Finalmente, em 1986, eu disse "chega de ser diretor executivo"
e montei minha primeira editora. Com o Roberto como sócio.
| "Hoje, para você lançar uma revista na banca
precisa fazer muita conta. A cada três publicações que você colocar
na banca, você vende uma. No mercado popular, você coloca 50.000,
100.000 nas bancas. Mas, no caso das segmentadas, para vender 15.000
exemplares, você tem de colocar 45.000 nas bancas. Então, não tem
cálculo que resista. Acho que essa equação publicidade/banca está
mudando para mailing, assinaturas (ou algo parecido)/publicidade"
|
ER - E como é ser sócio do Roberto?
AR - É muito bom, não tenho reclamações dele como sócio. Ele é
bom como amigo e como sócio. Sempre me deixou muito à vontade, uma pessoa
maravilhosa, aprendi muito com ele.
ER - E em 1985 você inaugurou a Editora Azul. Como foi
a história de compra e venda dela?
AR - Criei a Azul em 1986 e fiquei nela até 1997. Na verdade,
a editora foi montada por meio da Abril e nós levamos para lá algumas
revistas que não estavam funcionando bem, pelo tamanho, numa grande estrutura.
Começamos com a Contigo, Bizz, Saúde, Carícia e Horóscopo, revistas que
não interessavam para a Abril na época. Para isso, eles tinham 40% de
participação no negócio. Com o tempo, foram surgindo novas revistas como
Viagem e Turismo, Boa Forma, Set e Fama, que hoje está no mercado de novo.
E também, o maior lançamento da Azul, que até hoje é uma das maiores revistas
populares do país: a Ana Maria, que foi a mãe das revistas desse segmento
e a primeira grande revista popular a circular. A associação estava bem,
mas eu estava me sentindo sufocado pela Abril. Então, restavam duas alternativas:
ou o Roberto comprava a minha parte ou eu comprava a parte dele. Acabou
ele comprando a minha. Isso foi em 97 e eu, com essa mania de revistas,
em vez de ficar quieto, resolvi continuar. Em 98, montei a Peixes.
ER - Como foi o processo de montagem da Peixes?
AR - Bom, para não perder o costume, peguei algumas revistas que
não interessavam à Abril, que eram a Set e a Fluir e depois vieram outros
lançamentos. Eu comprei a Terra, trouxe a Sexy e culminou com a fusão
com a Camelot, em 2001.
ER - Muito tem se falado sobre a ida da mídia ao BNDES.
A Peixes é uma das poucas editoras saudáveis no mercado. Como você está
vendo tudo isso?
AR - Com bons olhos, acho que está chegando o momento. Sem dúvida,
a Abril é uma das grandes candidatas a ter dinheiro novo e a crescer.
Acredito que, hoje, tirando as grandes editoras, que são a Globo, Abril
e Três, que publicam revistas semanais, a Peixes está situada como a principal
editora de revistas segmentadas, mesmo estando mais focada no segmento
masculino. De certa forma é uma editora que tende até ser classificada
como segmentada especializada.
ER - Falando em segmentação e nessa gama toda de títulos,
como surgiu a Sexy?
AR - Na verdade a Sexy não é da Peixes...
ER - Mas faz parte do bolo "Angelo Rossi"...
AR - Faz parte. Quando fiz a associação com a Camelot, tiramos
a Sexy propositalmente porque ela não chega a ser uma revista segmentada,
ela é segmentada no sentido do assunto, mas não em termos de contas. Então,
resolvi montar uma editora para trabalhar o mercado masculino, o segmento
de comportamento masculino. É ai que entra a Rickdan, que tem basicamente
a Sexy e todos os seus especiais. Além do site, que provavelmente é o
mais visitado da UOL.
ER - Então, sacanagem vende?
AR - Sacanagem vende.
ER - Quem escolhe a garota da capa, é você?
AR - Eu vejo a capa não só na Sexy, Se tem uma coisa que faço
questão de ver é a capa. Às vezes, posso até não ler a pauta no início,
mas tenho de ver a capa. Pelo menos essa vantagem eu tenho (risos).
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