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Grande guerreiro do negócio das revistas. Ele é o Super Angelo
Maria Célia Furtado entrevista Angelo Rossi

Comecei minha entrevista com Angelo Rossi perguntando se ele tinha nascido com uma revista na mão, porque é sempre assim que o imagino. Permanentemente ligado ao mundo das revistas. Prova disso é que há pouco tempo precisei de informações numéricas do mercado - estava trabalhando em uma sondagem para avaliar um projeto - e não tive dúvida. Consultei o Angelo. Com meia dúzia de cálculos (sem maquininha), algumas correlações, e com muita coerência vieram as respostas que depois, por meio de pesquisas, foram confirmadíssimas. Quer saber qual segmento vai bem ou mal, consulte o Angelo. Quer saber como estão as vendas de revistas, qual o consumo de papel, como anda a venda das revistas populares, qual mercado está saturado, consulte o Angelo. Um dos últimos revisteiros da segunda geração ainda na ativa, é a memória viva do mercado brasileiro de revistas.

Dito assim parece que tem mil anos. Nada disso. Superativo, lançando novos títulos, absolutamente atualizado com as novas tendências, antenado com o que ocorre no exterior e dono de um domínio empresarial muito forte.

Outro dado muito interessante: ele domina o mundo das revistas, confere todas as capas, tem um superfaro para o que pode dar certo ou não e, acreditem, nunca escreveu uma linha. É o diretor atrás do palco, que comanda tudo com tranqüilidade. Conhece os problemas da circulação, enfrenta bravamente as adversidades da publicidade, buscando novos caminhos. É um precursor dos licenciamentos de marcas e dos eventos segmentados, colocando frente a frente consumidor e anunciante.

Um dos destaques fortes de sua personalidade é a capacidade de saber recomeçar. Já são duas editoras que sob sua batuta muito rapidamente despontaram para a cena editorial. É um construtor de empresas editoriais: cria, agrega e vende. Tem essa facilidade de rapidamente mudar as regras do jogo, inverter os papéis e recomeçar.

Foi pioneiro no lançamento da primeira revista popular no Brasil, abriu esse mercado, arriscou-se em um projeto de preço de capa reduzidíssimo e, mais que isso, acreditou no potencial de compra e de interesse das classes de menor poder aquisitivo. Apostou e ganhou. Hoje, muitos títulos seguiram essa política e vivemos a explosão do consumo das revistas populares.

Nossa capa mostra o Angelo guerreiro, batalhador, destemido, realizado em seus projetos, defendendo suas idéias e seus princípios com conhecimento, informação e raciocínio articulado. Nesta entrevista, vocês podem conferir.

Em Revista - Vamos começar pelo início da sua vida de revisteiro. Tenho a impressão de que você nasceu com uma revista na mão. Como começou sua história com as revistas?

Angelo Rossi - Na verdade, comecei fazendo estágio na Abril. Em 1968, estava no segundo ano de faculdade e fiquei dois estagiando pela área gráfica e distribuição, até os anos 70, quando me formei. Em 1971, fui para o Rio de Janeiro pela Abril para ser gerente administrativo da Operação de Venda de Volumes.Vendia livros de porta a porta (risos). Fiquei no Rio por dois anos, ou seja, meus dois primeiros anos depois de formado morei no Rio de Janeiro. Em 72, voltei para São Paulo e comecei estagiar nas áreas financeira e administrativa, na própria Abril, já participando de algumas coisas. No fim de 73, foi minha primeira experiência com revista, como diretor da divisão de infantojuvenis que hoje é a Abril Jovem. Naquela época, tinha basicamente todas as revistas em quadrinhos mais a revista Recreio, famosa revista Recreio. A década de 70 foi uma loucura, a Disney e as revistas do Mauricio de Sousa vendiam milhões de exemplares. Para dar uma idéia, a revista do Tio Patinhas vendia 500.000 exemplares, o Pato Donald, 250.000 a cada semana. Foi aí minha primeira experiência, fiquei nas infantis até 1978, ou seja, sete anos.

ER - Seu pai era sócio do Roberto...

AR - Meu pai era sócio do Victor, e ele trabalhava na área financeira, era gerente financeiro. Faleceu em 81, mas ele foi sócio... Basicamente sócio-fundador ou sócio funcionário (risos). Na realidade, estava desde 1951 na Abril. Chegou ao Brasil em 1950 e no ano seguinte conheceu o Victor. Juntos, decidiram fazer a editora. Basicamente, ele era o homem dos números, dos negócios.

ER - Você, então, sempre esteve do lado do gerenciamento. Já escreveu alguma matéria?

AR - Não...não... Sou péssimo nisso!

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