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Seduzindo pelo olhar
Design ajuda a publicação a ser reconhecida mais facilmente pelo público - ou ajuda a mudar o tipo de leitor. Conheça casos de quem mudou a identidade visual da revista e veja se isso pode ajudar seu título a ganhar novo fôlego.

O sucesso de uma revista depende de uma série de fatores, que vão do públicoalvo até a distribuição em banca. Uma coisa, porém, é certa: se a revista tiver um visual errado, não há conteúdo genial nem distribuição ampla que dê jeito na situação.

Se todo produto é um conjunto de conceitos criados para passar uma mensagem, o design é a arma que traduz tudo isso em formas e letras. No caso das revistas, elas precisam passar a imagem do projeto editorial de maneira competente.

Formato, logotipo, tipologia, tratamento fotográfico, cores: tudo impacta a mente e a sensibilidade do receptor, criando identidade ou rejeição conforme as referências pessoais, sociais e culturais que ele possui. Por conseqüência, é o aspecto visual que faz o primeiro filtro de quem será seu público- alvo. O modo como uma revista é desenhada define o tipo de leitor e o tipo de anunciante que se deseja atrair - e o leitor, peça-chave de todo o processo, precisa identificar-se com o que vê, e entender as informações que está recebendo.

Esses elementos gráficos são a grande chance que o designer tem para conquistar o público, uma vez que numa revista é o design quem provoca o impacto inicial. Se além de tudo o texto for bom, bingo! O leitor está fisgado.

Em títulos já estabelecidos no mercado, a tentação de fazer mudanças para rejuvenescer a publicação, ou os leitores, é uma ferramenta que deve ser manuseada com cuidado. Alterações descuidadas, ou sem base editorial sólida, podem deixar a revista sem leitores, nem novos nem velhos. "Revistas mudam de identidade visual por algumas razões. A mais freqüente é quando os editores acham que a revista está ficando velha, com cara cansada, e que o leitor está percebendo a mesma coisa. Outra razão é quando a revista quer acrescentar novo público, e acha que sua cara precisa de uma revolução. Nesse caso, aconselha-se uma modificação mais radical, que chame a atenção dos leitores potenciais, mas com o cuidado de não perder os leitores atuais", explica Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente do conselho editorial da Editora Abril.

A revista Quem Acontece da Editora Globo é um exemplo prático do primeiro conceito.

Aproveitando a cabalística efeméride da edição de número 300, o título ganhou um new look, que deixou bem claro que a revista estava em nova fase em seu posicionamento editorial. Sem perder o foco nas celebridades, foram incluídas seções fixas de moda e serviços que aproximaram ainda mais a revista das mulheres, públicobase desse segmento.

Nessa nova fase, Quem Acontece ganhou ares de publicação internacional, apostando em grandes aberturas de reportagens sem uma padronização específica, a exemplo do que ocorre nas revistas semanais de informação. As matérias tornaram-se mais bem organizadas em seções específicas, demarcadas claramente. Muita coisa que já existia na revista foi potencializada. O novo projeto gráfico partiu da premissa de deixar a revista mais bonita e torná-la mais útil e para reforçar os pontos fortes do título, como as reportagens bem elaboradas e as intervenções de maquiadores em celebridades, na seção "Porta-Retrato". "Há uma característica bem marcante no projeto. A idéia é radiografar o personagem e usar recursos visuais para mostrar o que ele está usando", esclarece o diretor de design Saulo Ribas, principal responsável pela nova cara de Quem Acontece.

TODOS POR UM

Outro ponto que precisa ser considerado pelos editores é a união entre o editorial e o visual: todo mundo precisa, sim, trabalhar em conjunto. Um repórter que só se preocupa com o texto e não considera como a matéria vai ficar na página está cada vez mais condenado ao limbo. Ao mesmo tempo, um designer que projeta a página pensando em prêmios internacionais e que "esquece" que o texto tem de ficar legível e compreensível para o leitor também não vai muito longe.

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