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Versão brasileira
Contando com prestígio da publicação original, é cada vez maior o número de revistas estrangeiras que ganham versão made in Brazil. A questão é: o negócio do licenciamento realmente vale a pena?

Todo empreendedor sabe que diante de um papel em branco, todas as realidades são possíveis. Mas o que é melhor: começar realmente do zero, com uma idéia original ou partir de uma experiência anterior bem-sucedida?

Não existe uma fórmula que determine a melhor resposta. Mas os resultados positivos conquistados pelas editoras brasileiras que apostaram em licenciamento revelam que essa é uma opção que merece ser avaliada com atenção. Para dar uma idéia do potencial desse mercado, atualmente no Brasil existem 34 títulos publicados com base em originais estrangeiros. E o mercado, cada vez mais globalizado, aponta para o crescimento dessa tendência.

Ironicamente, a internet - que alguns acreditavam ser uma possível causa mortis das revistas - tem sido uma das propulsoras da invasão de títulos internacionais (principalmente de nacionalidade norte-americana) pelas terras brasilianas.

O licenciamento pode apresentar vantagens a todos os envolvidos. Do lado das editoras internacionais, ele permite entrar em um mercado com um potencial atraente: segundo informação da Aner, o Brasil tem cerca de 35 milhões de leitores. É o maior público de revistas na América Latina. Já para as editoras brasileiras, o licenciamento possibilita adicionar um título de peso ao seu portfólio. Especialmente se o título licenciado tiver conexão com o principal segmento de atuação da editora.

Mikio Okamoto
Alzugaray, da Rocky Mountain: "Analisamos as edições e elegemos o que é mais adequado ao interesse do leitor brasileiro".

A revista Go Outside (versão brasileira da norte-americana Outside) é um exemplo de licenciamento de sucesso. O título original, publicado nos Estados Unidos desde 1978, é um dos líderes no segmento de turismo e serviços dos amantes de esportes de aventura.

Para a versão brasileira, Go Outside produz cerca de 60% do material publicado. Em algumas edições, a porcentagem de material brasileiro e gringo empata, dependendo da pauta a ser abordada. "Analisamos as edições americanas e elegemos o que é mais adequado ao interesse do leitor brasileiro. Traduzimos então o material e fazemos a 'nacionalização' do conteúdo, o que significa praticamente reescrevê-lo para o nosso formato de jornalismo", explica Carlos Alzugaray, diretor da Editora Rocky Mountain, responsável pela publicação.

No caso da Go Outside, a identidade visual da revista segue o modelo original da matriz. Porém, os editores contam com alguma liberdade criativa. "A tipologia e a linguagem visual devem seguir a referência da edição americana, principalmente nas seções fixas, mas todas as matérias mais importantes, por exemplo, são diagramadas com total liberdade", explica Alzugaray.

Nem sempre as edições licenciadas podem dar um tempero brasileiro ao conteúdo original. Ao configurar-se o contrato, os termos de licenciamento definem desde o uso do logotipo até a quantidade de matérias que poderão ser produzidas no Brasil.

Laura Colucci, advogada do Grupo Abril, editora responsável pelo licenciamento de Men's Health e Estilo de Vida (versão nacional da norte-americana InStyle), entre outras, explica: "No licenciamento, o que a editora-matriz oferece é o formato da revista, a fórmula gráfica e o título, que pode ser traduzido ou não para o idioma local. Às vezes a licenciadora pode exigir a publicação de determinada porcentagem do material original, mas isso varia de caso para caso", diz.

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