Em defesa da ética e do bom jornalismo POR ALFREDO NASTARI
Qualidade editorial, credibilidade, independência, personalidade, talento.
Este conjunto de qualidades não propriamente novas para todos aqueles
que exercem seriamente o apaixonante ofício de fazer revistas foi o tema
central da palestra do colombiano Alejandro Santos Rubino, diretor da
revista Semana, e sua receita de "Como Aumentar o Mercado de Revistas".
O novo, contudo, está na retomada do tema de forma tão clara e incisiva,
façamos justiça, não apenas por Alejandro, mas pontualmente por vários
outros conferencistas. Para nós, brasileiros, em um momento extremamente
oportuno. Premidos pela talvez mais aguda crise de mercado que a mídia
jamais enfrentou no Brasil e envolvidos em práticas oportunistas de mercado,
muitos de nós, editores, parecem esquecer de que nada substitui a qualidade
do produto que se oferece ao leitor.
Rubino fez, em sua apresentação, uma apaixonada defesa do bom jornalismo
como base fundamental para a construção de um mercado editorial sólido
e dinâmico. Destacou a necessidade de se manter a credibilidade e independência
em relação a grupos econômicos, governo e anunciantes com uma firmeza
que surpreende precisamente porque vem de um país imerso em uma guerra
civil, que luta para não ser engolfado pelo narcotráfico ou pela guerrilha
e onde o assassinato de jornalistas se tornou uma triste rotina.
Rejeitando o caminho fácil do sensacionalismo, Rubino foi buscar no
casamento sua receita bemhumorada para uma boa publicação: "O leitor procura
na informação as mesmas qualidades que procuramos no casamento. Queremos
uma parceira ou parceiro em quem acreditemos, inteligente, original, com
personalidade, sensibilidade e talento", afirmou ele. Uma revista deve
reunir tudo isso. O leitor deve acreditar nela, ela precisa ter uma opinião
própria e inteligente. Deve, principalmente, ser original. Não importa
apenas o que se conta, mas como se conta. |